Sexta-feira, 13 de Agosto de 2010

 

Foi necessário um carro, um reboque, três taxis, uma viagem de comboio, outra de metro e apanhar um avião para chegar à Ilha do Sal. Quando aterro na ilha é noite adiantada. Perco-me em fusos horários. Não sei se as horas fugiram para a frente ou andaram às arrecuas. O aeroporto é pequeno e é necessário verficar vistos e passaportes. Liberto das burocracias, recolho a bagagem e atravesso o edifício. Preparo-me para ser atingido pelo cheiro lendário de África. Aquele que garantem-me que uma vez sentido é impossível esquecer. O cheiro das saudades de muitos, tantas e tantas vezes descrito aos meus ouvidos atentos. Exterior do aeroporto, inspiro profundamente, fecho os olhos. Outra vez. Tento descodificar a profundidade do que cheiro. Nada. Absolutamente nada. A Ilha do Sal não cheira a coisa nenhuma.


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afonso ferreira às 18:59 | link do post | comentar
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2 comentários:
De Anónimo a 14 de Agosto de 2010 às 17:16
O Sal não é bem África, por isso nao sente. De todas as ilhas talvez seja a menos africana delas. E o Sal, massificado pelo Turismo, também não é bem Cabo Verde (S vicente, S.Nicolau, por ex.). Se quer encontrar o cheiro de África é rumar a outras paragens. Se quer encontrar Cabo Verde, também. Ainda assim, há qualquer coisa lá, ao fim da tarde quando se ouve uma morna em certos lugares (longe dos hotéis). E o mar, varrido por aquele vento permanente, é ainda assim alguma coisa com encanto.
~CC~


De Paula a 26 de Fevereiro de 2012 às 11:31
Deixei-me rir com este post...a forma como descreveu a frustração do não sentir o tal cheiro, o de África. Nada. Eu nunca me senti atraída por África, por mais que me falem dos cheiros, da savana, do por do sol...gosto mais da América do Sul e do Oriente. Gostos. Pode ser que um dia, quando puser os pés em "África" sinta todos os seus encantos.


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