Quinta-feira, 19 de Agosto de 2010

Viajar também pode ser isto – ter tempo para ler. Passar horas a viajar na ficção, desbastar a pilha de letras que espera pacientemente pelos dias mais longos. Com o magnífico Apocalipse dos trabalhadores de Valter Hugo Mãe fui a Bragança. Não satisfeito decidi atacar O Remorso de Baltazar Serapião do mesmo autor e mergulhar no português mediaval. Confesso que há muito tempo não esbarrava num livro tão forte e bem construído. Depois segui para a África do Sul, Cidade do Cabo, anos 70, com Verão de J. M. Coetzee. Ainda o estou a mastigar sem conseguir decidir se é um livro inteligente mas enfadonho ou só enfadonho. Atravessei o atlântico e aterrei em Nova Iorque com o Perturbações atmosféricas de Rivka Galchen (este livro obrigou-me a pedir ajuda na livraria ao Irmão Lúcia correndo o risco de ser brindado com um post humilhante com a minha interpretação fonética do nome da autora). Se a crítica prometia uma revelação e uma mistura bem conseguida entre ficção e ciência, o livro oferece demasiadas distracções e recursos estilísticos para permitir-me dar uma nota elevada. Atravesso novamente o oceano para a versão de Pedro Mexia do Agora a sério de Tom Stoppard. Casais, rupturas, teatro. Não fiquei muito emocionado, de qualquer forma fiquei com pena de não ter visto a peça no Teatro Aberto. Do norte sigo viagem para o sul com A feira dos assombrados de José Eduardo Agualusa passado em Angola num rio que fica infestado de cadáveres. De tal forma envolvente que não duvido que cheirar as páginas impressas deste livro pode ter sido o mais próximo que estive do inesquecível cheiro de África. Por último, uma descida aos infernos no gueto judaico na Polónia com os Anagramas de Varsóvia de Richard Zimler que, infelizmente, revelou ser uma desilusão a todos os níveis. 


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afonso ferreira às 01:07 | link do post | comentar
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4 comentários:
De Pedro Vieira a 23 de Agosto de 2010 às 01:31
não estou certo de me lembrar com exactidão da visita mas creio que estou a perder o talento para fazer identificação de géneros


De afonso ferreira a 23 de Agosto de 2010 às 01:41
a culpa não será nunca sua. não sou uma pessoa fácil de identificar. em termos de gostos literários é melhor nem dizer nada.


De Pedro Vieira a 24 de Agosto de 2010 às 18:13
au contraire, alguma marca ficou, sobretudo porque destrinço um certo anacronismo entre o que se espera de um afonso em termos de género e o que vi ao vivo e a cores. mas eu também vivo no conde redondo, estou habituado a essas ambiguidades.


De afonso ferreira a 25 de Agosto de 2010 às 00:18
ah, isso foi de um shampoo que andava a usar mas agora já está tudo bem. Conde Redondo? grande bairro. já lá morei.


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