Domingo, 30 de Maio de 2010

Um post apagado diz mais do seu autor do que dez online.



afonso ferreira às 22:58 | link do post | comentar | ver comentários (1)
|

 

Há dois tipos de pessoas: as que compreendem um problema ou uma posição com uma conversa e pela capacidade de reflexão e de vestir a pele alheia. E depois há as outras que só compreendem quando a própria pele queima. 



afonso ferreira às 14:03 | link do post | comentar | ver comentários (2)
|

Sábado, 29 de Maio de 2010

 

Conferência "Da realidade à ficção: como averiguar do seu grau de loucura". Uma viagem pela blogosfera, crises de fé, prozac e blind dates. Num jardim brevemente.



afonso ferreira às 13:52 | link do post | comentar | ver comentários (2)
|

 

Pergunta do taxista no final de uma longa dissertação sobre os destinos do país – o que fazem setecentos homens no parlamento, não bastava o presidente e doze ministros para um país tão pequeno?



afonso ferreira às 01:19 | link do post | comentar
|

O verdadeiro doente é o que não reconhece a doença.



afonso ferreira às 01:11 | link do post | comentar | ver comentários (1)
|

Sexta-feira, 28 de Maio de 2010

 

 

 

 

Uma ida à Feira do Livro no último dia: Lisboa, Cidade - Abril, Depois de morrer aconteceram-me muitas coisas de Ricardo Adolfo (com uma excelente capa com uma outdoor sculpture de Erwin Wurm), O esplendor de Portugal de Lobo Antunes, O Chão dos Pardais de Dulce Maria Cardoso. Uma leitura diária: Horas extraordinárias de Maria do Rosário Pedreira.

 



afonso ferreira às 00:59 | link do post | comentar
|

Quinta-feira, 27 de Maio de 2010

 

I

 

A tropeçar pela calçada no conflito esquizofrénico habitual das manhãs os meus passos levam-me até ao largo. Imponente, entalado entre duas ruas íngremes em direcção ao céu, o chafariz ao centro, a inscrição no mármore, os jacarandás a dar sombra aos bancos. Eu não sei se foi de propósito mas floriram todos e o largo está tingido de cor, as folhas desmaiaram na calçada e nos carros. É belo e os meus passos estagnam vencidos pelo assombro. Num estranho casamento, raro de assistir, estão dezenas de pessoas debaixo dos jacarandás como se fossem um corpo uno. São muitos e cantam. Um olhar mais atento revela que são só homens e carregam cartazes e faixas, e o que parecia uma cantiga afinal são palavras de ordem ásperas. O que dá o tom de cantilena ao discurso inflamado são as garrafas de álcool que muitos carregam. Estão bêbados e são muitos e é muito cedo. Estão eles a vacilar agarrados aos cartazes debaixo dos jacarandás e uma brisa húmida agarra-se ao largo, aos polícias e aos meus passos. A assistir à estranha ópera está o edificio que alberga os destinos da economia. Os polícias atrás do portão, já lá estão também manifestantes. O ministério sereno, já viu muita coisa na vida, não hão-de ser uns jacaradás a florir nem uns desesperados com os copos a quebrar a sua vontade, isto há-de ruir até ao último tostão. 

 

II

Devia com certeza fazer barulho, os relinches metálicos habituais, mas agora o que recordo é o carro a deslizar silencioso pela avenida, o rio ao fundo, azul-petróleo, o dia a morrer devagarinho. O cansaço a desprender do corpo e ela, alemã, dizem os documentos, a olhar para os jacarandás. A abrir a janela e com a cabeça pendente a tentar perceber o seu aroma. A dizer que nunca tinha visto, em Berlim não existem árvores coloridas que tingem as cidades de espanto. A contar da filha Lila que significa este lilás que entra no corpo adentro. Seguimos pela avenida a fiar histórias até chegar ao rio. Do dinheiro que é necessário para continuar a erguer obra(s), dos projectos que são necessários para a vida fazer sentido, do amor e da sexualidade, quando o cansaço instala-se e modifica as perspectivas do futuro e dos afectos. Há noites que convidam a relembrar o significado de respirar.

 




afonso ferreira às 03:37 | link do post | comentar | ver comentários (1)
|

 

 

 

 

Esta noite descobri as farófias da Bica do Sapato. Isto não é uma entrada no purgatório, é uma viagem direitinha ao inferno pelo pecado da gula. 

 



afonso ferreira às 02:35 | link do post | comentar
|

Quarta-feira, 26 de Maio de 2010

Uma carta de amor


Arquivado em:

afonso ferreira às 02:26 | link do post | comentar | ver comentários (2)
|

Terça-feira, 25 de Maio de 2010



afonso ferreira às 02:07 | link do post | comentar
|

 

Há um risco calculado em decidir conhecer fisicamente alguém que só conhecíamos virtualmente. Esse encontro pode ser fatal, podemos tropeçar numa paixão, podemos acabar ao estalo, é imprevisível. O que é previsível até à medula é que haveremos de nos enganar vezes sem conta. As amizades – como o amor – partem sempre de pressupostos nossos, não da realidade concreta. Não existindo manuais para lidar com tais situações, que nos ensinem a ver para além das aparências e nos salvem de nós próprios, estamos à mercê do vento. Alguém dizia-me que o ideal era termos forma de conhecermos alguém sem a conhecer mesmo, como escutas telefónicas à pessoa até formarmos uma opinião estável. Como qualquer tentativa de vigia causa-me urticária proponho métodos alternativos. Leitura integral e intensiva das cartas amorosas trocadas ao longo da vida e de toda a biblioteca com especial atenção nos sublinhados. Bisbilhotice ao cabaz de compras no mercado. Avaliação atenta aos animais de estimação, se não existirem tomar em atenção esse factor também. Uma dúzia de vídeos onde a pessoa fale extensamente de vários assuntos, de política à problemática do acasalamento. E depois disso tudo e de muita ponderação, talvez, um dia podemos combinar um blind date.



afonso ferreira às 01:02 | link do post | comentar | ver comentários (6)
|

Segunda-feira, 24 de Maio de 2010

 

 

 

 

Quando o inverno corrompia os ossos e chegava a casa e na aparelhagem tocava o So What a ronronar pelas paredes e nos vidros embaciados pela água a escaldar. A banheira cheia, mergulhava o corpo até à combustão, até o sangue correr na casa-risco-ao-meio gelada, o corredor sem fim à vista, portas à esquerda e à direita. Os quartos com portas interiores e eu a perder-me na casa e em mim próprio todos os dias. O quarto fechado que tinha um balcão de bar dos anos 50 e eu a pensar no que ia fazer à vida com uma bebida a queimar-me as entranhas. À noite sentava-me à mesa e traçava mapas e objectivos. Era a casa a tomar conta de mim, a desfilar memórias, os sobreviventes do horror, as plaquinhas  em hebraico presas na diogonal nas ombreiras, as fotografias baças. Um dia nevou, flocos de neve que se transformavam em água ao bater no solo. Eu na varanda a olhar para o céu e a pensar que nunca tinha nevado na cidade, que a minha desorientação tinha contaminado o tempo, uma epidemia de gelo. A música todas as noites, enquanto mergulhava na banheira e contava os minutos sem respirar, enquanto a casa ficava nas minhas memórias e o Coltrane gravado eternamente na minha banda sonora. 



afonso ferreira às 03:05 | link do post | comentar | ver comentários (2)
|

Domingo, 23 de Maio de 2010

 

 

"Hoje Lisboa é esta cidade de Abril com a ponte alta agrafando a outra Banda, com as luzes cintilando no céu, nas casas, na água, com as árvores e as ruas enfeitadas com faixas de festa, de organização e de luta"

 

Lisboa, Cidade - Abril, vários, Editorial Caminho



afonso ferreira às 20:56 | link do post | comentar
|

*

 

Há os românticos e os outros, os coleccionadores compulsivos de desgraças amorosas.

 

 

* O alojamento de fotos enlouqueceu esta noite. Imaginem uma fotografia de uma onda a rebentar no pontão com o rio Tejo e o Cristo-Rei como pano de fundo.



afonso ferreira às 01:13 | link do post | comentar | ver comentários (1)
|



afonso ferreira às 01:11 | link do post | comentar
|

Sábado, 22 de Maio de 2010

O céu limpo, tantas promessas e conquistas no caminho e ainda assim o coração pesado como chumbo.



afonso ferreira às 16:03 | link do post | comentar
|

Sexta-feira, 21 de Maio de 2010

 

Hoje não havia taxista.



afonso ferreira às 12:15 | link do post | comentar | ver comentários (2)
|

Quinta-feira, 20 de Maio de 2010

Escrever um livro, plantar uma árvore e alguém que crie uma página de admiradores.



afonso ferreira às 23:52 | link do post | comentar
|

 

Quando um homem resume a sua vida a trabalhar de manhã à noite sem descanso e as suas relações de amizade mais consistentes são virtuais, o nosso novo melhor amigo poderá ser o dono do supermercado na baixa aberto até à meia-noite. Tem todas as qualidades que se deseja numa amizade: é fiável, paga-se o que se quer levar, não fala português permitindo-nos uma comunicação isenta de ruído supérfluo - o que parecendo pouco é na realidade precioso atendendo às horas em que o visito - e acima de tudo está sempre disponível para nos aturar (por vezes está aberto até à 1 da manhã). Hoje, para além dos lacticínios e verduras que me mantêm no nível mínimo de sobrevivência, tinha à minha espera o último grito tecnológico: uma raquete electrificada para matar os insectos que teimam em namorar a fruta. Pedi-lhe para experimentar e renasci às primeiras raquetadas aos mosquitos na secção das pêras. Por gestos combinei alugar-lhe a raquete todas as noites por um preço módico. Hoje consegui encaixar o ginásio na minha agenda sobrecarregada e puxar o lustro à minha pessoa nos chats do facebook, afinal o ténis sempre foi um desporto elitista.



afonso ferreira às 22:32 | link do post | comentar
|

Segunda-feira, 17 de Maio de 2010

 

Mais vale uma crise de fé superada do que ser um rato a vida toda.



afonso ferreira às 23:03 | link do post | comentar | ver comentários (2)
|



afonso ferreira às 21:57 | link do post | comentar
|

Sábado, 15 de Maio de 2010

 

Hoje o taxista era russo e só estava na profissão há duas semanas. Foi um lindo serviço.



afonso ferreira às 04:58 | link do post | comentar | ver comentários (2)
|

Sexta-feira, 14 de Maio de 2010

 

Li recentemente numa entrevista uma frase que registei na memória. Dizia o entrevistado que até aos trinta tinha observado, depois disso passou a agir. Não será por acaso que reparei na frase, recentemente sinto que aprendi as derradeiras lições sobre o amor e a amizade. Já observei tudo o que tinha a observar. Talvez tenha chegado o tempo de agir.



afonso ferreira às 11:05 | link do post | comentar | ver comentários (2)
|

Terça-feira, 11 de Maio de 2010

 

É o medo que nos paralisa. Que nos faz virar costas, queimar pontes, toldar o bom julgamento, trocar os sonhos por angústias. É o que impulsiona a traição e o desgosto. Esta noite apetece-me extrair com uma seringa de vidro e agulha fina todo o medo do sangue que corre na cidade.



afonso ferreira às 22:39 | link do post | comentar | ver comentários (4)
|

Sexta-feira, 7 de Maio de 2010

 

Hoje o taxista era ucraniano, não conhecia Lisboa e gostava de velocidade. Memorável.



afonso ferreira às 02:09 | link do post | comentar
|

Domingo, 2 de Maio de 2010



afonso ferreira às 02:42 | link do post | comentar
|

Dezembro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


Artigos recentes

the end

Sleepless people

provérbio transmontano

cry me a river

Falta de rigor

obrigado

prémios literários

meia-noite

battle

status

Día domingo

imaginação

virtudes públicas, vícios...

fios

Estudos de um processo

constatação de sábado

A história de uma tragédi...

Dias felizes

A Alice é psicótica

debandada

Arquivo

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Arquivado em

a minha língua é a pátria portuguesa

cartas

casamento gay

coisas extraordinárias do gabinete

conversas de caserna

corrupção

dias felizes

domingo

domingos

estudos

ghost writer

gira-discos

grandes crimes sem consequência

literatura

mercados

mundo virtual

outras cidades

paixonite

pequenas ficções sem consequência

perdido no arquivo

playlist

relvasgate

sonhos

suicídio público

taxistas

telenovela

um homem na megalópole

vendeta

viagens

todas as tags

links
Twitter
subscrever feeds