Quarta-feira, 30 de Junho de 2010

Actualmente não há maior chamada de atenção do que ameaçar sair do Facebook e voltar passado cinco minutos. Se fosse uma criança chamava-se birra.



afonso ferreira às 19:32 | link do post | comentar | ver comentários (2)
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Exceptuando quem o faz pela educação recebida, nunca compreendi aqueles que tratam por você dependendo da circunstância. Ou mais estranho ainda, os que passam do tu para você no trato com os outros, para demonstrar que nesse momento precisam de impor distância. Se fossem bem sucedidos na distância, se o desejassem realmente, não seria uma mera designação a fazer diferença. Fica antes explícito que fizeram uma chamada de atenção intencional, pois não há nada que retenha mais a nossa atenção do que o trato que os outros nos reservam. Não sei se vocês compreendem-me.



afonso ferreira às 12:59 | link do post | comentar | ver comentários (2)
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Terça-feira, 29 de Junho de 2010

No intervalo do jogo o meu carro era o único a circular no Largo do Camões.



afonso ferreira às 20:40 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Tenho o coração remendado a fita-cola.



afonso ferreira às 14:27 | link do post | comentar | ver comentários (8)
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A calúnia, a mentira e a traição podem custar muito ao atingido, mas depois da fama sem proveito só uma coisa o salva e apazigua da injustiça sentida – praticar os actos sem retaliação aproveitando a condenação prévia. Afinal não é possível ser condenado duas vezes pelo mesmo crime. 



afonso ferreira às 10:04 | link do post | comentar
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1966

 

Não sei o que é melhor, se o texto ou os comentários.

 

(...) Será que no estrangeiro se opina sobre uma possível invasão espanhola caso e Espanha perca com Portugal? Ou que o D. Duarte reclame o trono espanhol se ganharmos, baseado nos acontecimentos de 1383/5? 

Isto é um jornal sério?!, Zesx, 28.06.2010, 23:06

 

2010




afonso ferreira às 01:34 | link do post | comentar
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Para que a telenovela cative o maior número de espectadores a trama inicia com o envio frenético de mensagens do protagonista em todas as direcções. Estilo roleta-russa. Confesso que neste capítulo inspirei-me no título de mais um livro de Dostoiévski - O Jogador. O problema agora consiste em dar o balancé, a cadência perfeita para que o espectador não mude para a Quadratura do Círculo. Assim que conseguir transformar mensagens do Facebook e telemóvel num diálogo estimulante mas ainda assim medíocre, tenho a certeza que escreverei os outros capítulos de uma assentada. Ideias não me faltam. As linhas mestras estão decididas: o funeral será convocado por chat, as relações amorosas finarão todas por post-it, aos falsos amigos espera-lhes a glória no cabeleireiro do bairro.


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afonso ferreira às 00:49 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Segunda-feira, 28 de Junho de 2010

 

Eavesdrop on almost any conversation in real life and there’s a lot going on. Close your eyes and it will become obvious that someone is leading and someone is following; on person gets to change the subject and the other one happily follows. One person may be listening while the other hardly hears what the other says. Even if they’re discussing something neutral such as where to meet, someone gets the final veto. Conversations are like a seesaw – and it’s very unusual for it to be pitching back and forth in smooth harmony. Whenever people talk – about anything at all – they are revealing something deeper about how they respond to each other.


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afonso ferreira às 21:17 | link do post | comentar
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Like two pieces of the gallows, we share a common dream.



afonso ferreira às 02:24 | link do post | comentar
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Estamos convictos que estamos sozinhos no mundo com a nossa raquete. Até tropeçarmos num post e descobrirmos que afinal somos muitos.



afonso ferreira às 01:44 | link do post | comentar
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Foi uma conjugação de coisas. A conversa sobre as scuts, os dois de óculos escuros na marginal a caminho da praia. Eu a perceber a extensão do negócio do ex-assessor. O quê? Também tenho de comprar o aparelho? Mas eu não vivo no Norte! O gajo é um génio. Depois foi a entrevista ao Alfredo Casimiro na Pública onde relata todo o caminho percorrido até descobrir aos trinta anos que era milionário. Ao fim do dia, vínhamos nós na fila morna em direcção à capital, tive uma epifania enquanto olhava para o segundo acidente. O meu caminho não está na literatura, não passa por escrever para a gaveta, ter fome e correr o risco de viver debaixo da ponte. Eu quero ser rico, bem sucedido, condecorações do presidente e essas tretas todas, um vulto na cultura, que os gajos que me bateram na escola primária vomitem de inveja. Acho que estão a perceber a ideia. Para isso é necessário encontrar a minha própria scut. O mais complicado por vezes é ter a ideia, uma vez definida, o objectivo parece de uma simplicidade atroz. Nem sei como  é que nunca me tinha ocorrido isto. Vou dedicar-me às telenovelas e conquistar o meu quinhão. Ao chegar à cidade já tinha engendrado o primeiro esboço do argumento. A personagem principal é o anti-herói por excelência. Terá doses cavalares de falta de sexo, diálogos de chorar por menos, facadas dos amigos a torto e a direito, amores platónicos degradantes, medicação assistida e uma previsibilidade em todo o argumento do início ao fim que não deixará o espectador indiferente. Conto matar a personagem principal a meio da telenovela, com direito a um funeral rasca e poucos choros. A forma como vou continuar a saga sem o palhaço é o twist perfeito para que ninguém se esqueça da minha obra. Estou a pensar roubar o nome O Idiota ao Dostoiévski – é curto e fácil de lembrar, afinal idiotas há muitos e é raro não conhecermos um ou dois, senão muitos. Primeiro capítulo em preparação.


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afonso ferreira às 00:19 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Domingo, 27 de Junho de 2010

 

 

 

E logo directamente para um palco. Parece que há quem acredite* neste escriba, e ainda bem que da minha parte é só dúvidas. Fui convidado a sair do armário e a trocar o teclado por um microfone. Como sou um inconsciente disse que sim. No próximo sábado, dia 3 de Julho, vou estar no Speakers' Corner no Estoril FashionArt Festival. A dúvida agora é perceber se tenho gravata para isto. 

 

 

* Com um agradecimento especial à Rita Rolex.


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afonso ferreira às 23:25 | link do post | comentar
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Quase, quase lua cheia.



afonso ferreira às 03:29 | link do post | comentar | ver comentários (3)
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Sábado, 26 de Junho de 2010

Pensei que se não escrevesse haveria de te esquecer mas ainda foi pior.



afonso ferreira às 17:46 | link do post | comentar | ver comentários (8)
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Aprendi há muitos anos que a regra de ouro quando trabalhamos com pessoas ou em situações que não confiamos é tratar todo o processo por escrito. Aprendi agora que nas relações de amor e amizade nunca se deve comunicar sem ser nos olhos.



afonso ferreira às 16:19 | link do post | comentar | ver comentários (4)
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Bem-vinda Miúda no Deserto.



afonso ferreira às 14:16 | link do post | comentar
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Com as férias respira-se melhor nesta latrina.



afonso ferreira às 11:09 | link do post | comentar | ver comentários (2)
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À meia-noite em ponto Lisboa estava cheia de pessoas a passear na rua.



afonso ferreira às 01:22 | link do post | comentar | ver comentários (2)
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Sexta-feira, 25 de Junho de 2010

 

Chegou ontem. Tive de ler várias vezes o destinatário. Um Homem na Cidade. A minha primeira carta e logo com um convite para um jantar. Ao abrir o envelope rasguei o véu entre a realidade e a ficção. 


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afonso ferreira às 17:42 | link do post | comentar
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Às 15h10 a bomba de gasolina de Oeiras estava deserta.



afonso ferreira às 16:38 | link do post | comentar | ver comentários (2)
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Esta não foi das melhores. Também não está na categoria das péssimas ou muito, muito más, que já as vivemos e preferimos não repetir. Aquela noite em que tive de fazer pressão sobre um pulmão perfurado por uma navalha. A outra em que despistei o carro numa ponte e acabei a falar com um desconhecido debaixo de um dilúvio. E aquela em que chorei tanto. Esta não entra nessa categoria, está até muito longe, mas teve qualquer coisa de azedo. Há frases que nem nas melhores noites toleramos ouvir. 



afonso ferreira às 02:44 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Quinta-feira, 24 de Junho de 2010

 

 

Start were you are.

Do what you can.

Use what you have.



afonso ferreira às 14:05 | link do post | comentar | ver comentários (2)
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Começar o dia a subir ao jardim mais alto da cidade e depois descer devagarinho. Respirar profundamente.



afonso ferreira às 13:59 | link do post | comentar
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E depois, apesar de tudo, há noites em que se respira. Combinamos jantar com um amor do passado no sítio onde estivemos tantas vezes. O passado arrasta um presente que desconheço, mas penso que agora chama-se família moderna – os amigos. O equivalente a dizer que éramos muitos à mesa e que eu recordei porque é que ainda hoje digo antigo amor. Esta capacidade de rir e de juntar pessoas à mesa, esta mania que tu tens de arrancar-me gargalhadas. E entre o peixe e o vinho falamos muito, cada vez mais, sobre o passado. Mas esta noite o passado é leve e é composto de vassouras para sintonizar a televisão, botas botildes roxas que ficavam sempre sem sola, os resquícios de memórias dos tempos pós-revolução. É um jantar farto, de comida e de amigos, em bancos corridos no largo debaixo das árvores.


Fazemo-nos ao caminho para o baile. A banda está a aquecer, o salão é quente, as bebidas estão mornas, é um contra-senso dizer que se respira e no entanto. À primeira dança fico petrificado a olhar para o par, eu não sabia que se podia dançar assim, são dois corpos em sintonia, perfeitos, circulares, tenho dificuldade em reconhecer as pessoas com que ceei. O salão transforma-se, são muitos pares agora, há uma energia frenética no ar, há conversas, encontros, pulos. A cada música os pares separam-se e voltam-se a combinar novos, junto à banda deixo-me ir. E danço, danço e esqueço tudo, deslizo para o momento em que atingimos a sintonia, duas corpos movimentam-se como um só, seguindo compassos sem pensar. Na última dança, saio e vejo-me, os movimentos, os passos, tenho a mão esquerda nas tuas costas e na direita os meus dedos estão entrelaçados nos teus. Percebo que não o fiz nas outras danças, nem com os outros pares, e não sei se o decidi fazer ou não, quando saio de mim é assim que a vejo, entrelaçada. E no meio da música respirei fundo, muito fundo.



afonso ferreira às 02:50 | link do post | comentar
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Esta é uma história de que Alberto Caeiro gostaria. O Saramago da Azinhaga cresceu e a sua imaginação acabou por abarcar tudo de todas as maneiras. Padres barrocos e voadores, blimundas e baltasares, uma península que se desprende mar adentro, uma palavra mudada num livro, um poeta pela cidade em busca do poeta que o inventou, a cidade onde todos ficam cegos, um funcionário opaco numa conservatória do registo civil, um messias relutante e revoltado, um elefante em viagem, tudo. E mais polémicas, e indignações, e ideais, e o planeta e a humanidade e tudo. E depois ele mesmo, e um amor encontrado que nem na imaginação dele caberia, e uma mudança para uma ilha estranha, vulcânica. Nessa ilha construiu a sua casa, que com orgulho dizia ter sido feita apenas com as suas histórias, as suas ideias, as suas palavras. O Saramago da Azinhaga e o mundo que ele fez com vinte e poucas letras do alfabeto.

 

Rui Tavares

 

 

Seria justa a presença de um Presidente no adeus ao Nobel; mas não este: Cavaco e Saramago não quereriam cruzar-se mais. Nem mortos. E se Cavaco poderia ser obrigado - por dever profissional - a comparecer, neste caso o "interesse nacional" não se sobrepõe à vontade de Saramago.

Rui Passos Rocha


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afonso ferreira às 02:26 | link do post | comentar | ver comentários (2)
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Não perdoo nem faço tenções de esquecer.



afonso ferreira às 01:51 | link do post | comentar
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Quarta-feira, 23 de Junho de 2010

A maioria das pessoas que reconheço um humor bastante acima da média são geralmente consideradas pelos outros irascíveis.



afonso ferreira às 23:55 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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afonso ferreira às 22:56 | link do post | comentar | ver comentários (3)
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Viajava hoje no eléctrico 28 com as duas crias. Dizia coisas como a música existe para dar significados que as palavras não têm. O mais velho da plateia não tinha mais de cinco anos. Não contando comigo.



afonso ferreira às 21:45 | link do post | comentar | ver comentários (3)
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Quando leio isto sinto medo. A impotência na defesa perante os outros, à mercê da vontade de saber e da natureza humana. Quando leio isto recordo os telefones com os grampos, lembro-me de desligarmos quando ouvíamos o ruído metálico, recordo-o a olhar pela janela a ver a carrinha estacionada à nossa porta, de nos entrarem em casa em busca de papéis, os papéis todos espalhados no chão, e o que recordo mais vivamente, a vez em que a janela estava aberta e todos garantimos quando chegámos a casa que ninguém a tinha deixado assim. E contudo, apesar do passado, diria que a noção de segurança é uma coisa inata em mim, recentemente tive de aprender regras básicas como fechar sempre a porta à chave. Mas o que eu tenho medo, é do assalto à privacidade, do terrorismo íntimo, e por muitas voltas à chave que dê, nunca saber se é suficiente. 

 



afonso ferreira às 12:34 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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