Domingo, 31 de Outubro de 2010

O homem teve uma acidente na praça. Mota deitada no asfalto, o corpo sentado no empedrado, ossos à mostra. Talvez óleo, talvez os trilhos dos eléctricos. Lembro-me dessa noite no restaurante, conversas, comida e vinho, do acidente, de quem estava à mesa. Uma já morreu, outro esteve por um triz, e não éramos assim tantos. Alguém foi embora e uma das amizades está agora em perigo. Foi uma longa noite, parece que foi ontem que tudo aconteceu. 



afonso ferreira às 15:40 | link do post | comentar | ver comentários (2)
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Jan Saudek, The Lovers, 1987



afonso ferreira às 00:00 | link do post | comentar
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Sábado, 30 de Outubro de 2010

Ficas-me na pele.



afonso ferreira às 19:47 | link do post | comentar
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afonso ferreira às 02:38 | link do post | comentar
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Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010

Suspender o mundo num fim de tarde. Boa companhia, Coltrane e dois copos de vinho branco.



afonso ferreira às 21:26 | link do post | comentar
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Quinta-feira, 28 de Outubro de 2010

 

Há uma paz que desce gradualmente sobre todas as coisas. Prédios, pessoas, ruas, caixotes de lixo, pedras. Há um cansaço das horas a mais, o fígado a acusar o excesso, o olhar a pairar nas coisas mais esquecidas. Um baile suspenso, uma respiração pesada rente ao chão cheio de folhas caídas. Há um silêncio à espera do barulho todo.



afonso ferreira às 22:05 | link do post | comentar
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É mais fácil escrever que falar quando és tu que estás do outro lado da mesa.



afonso ferreira às 17:38 | link do post | comentar | ver comentários (3)
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Lembro-me do tempo imediatamente anterior ao telemóvel, quando andávamos todos de “bip” na mão. Não foi assim há tanto tempo. O “bip”, ou “pager”, era um aparelho do tamanho de um maço de cigarros que recebia mensagens escritas. O processo era simples: quem quisesse comunicar comigo, tinha o meu número de bip, ao ligar o número a partir de um telefone fixo aparecia-lhe uma operadora a quem ditava a mensagem. Segundos depois, eu recebia no meu aparelho. Não podia responder directamente, mas podia ir ao telefone mais próximo enviar um bip à pessoas que me contactava. Hoje parece ridículo – na altura discutíamos entre amigos se “aquilo” não estava a acabar com a comunicação entre as pessoas (havia quem terminasse namoros enviando um bip...), e víamos o ridículo aparelho como uma revolução. E agora a conversa volta ao mesmo. Estamos a acabar com quê? Pedro Rolo Duarte, aqui.



afonso ferreira às 02:01 | link do post | comentar
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Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010

Além de ter rido às gargalhadas, recordou-me o saudoso blog. O Pedro Ornelas, onde quer que esteja, achou piada de certeza. Inteligência e humor era com ele. Aconselho uma visita rápida antes que desapareça.



afonso ferreira às 00:57 | link do post | comentar
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Terça-feira, 26 de Outubro de 2010

Dizem-lhe que não tem defeitos. E ele responde com uma lista. O olhar enamorado perdoa porque é cego, mas não deixamos de ser a súmula de tudo. Depois percebe que devia fazer uma lista das virtudes, o que o faz correr. E escreve. Mas desta vez não envia, e pensa que devia cingir-se apenas e sempre às coisas virtuosas e não perder tempo com o resto. Escreve furiosamente a tentar recuperar um tempo perdido que ainda sente o gosto na boca enquanto recebe imagens de outras cidades, outras histórias, o olhar do outro em pequenos rectângulos de pixeis. No fim descobre que vive um tempo extraordinário.



afonso ferreira às 14:15 | link do post | comentar
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No café interrompem a conversa para tirar a minha bica. Quando a máquina silencia retomam-na no mesmo ponto. Os amigos estão contentes, o homem tem passado por ali a dar conta das novidades. Arranjou casa e agora gasta as horas livres em pequenas obras. Prepara-se para receber os filhos e é só nisso que pensa. São dois e o homem gosta muito deles. Os amigos estão contentes. Na minha rua tudo vai bem. 



afonso ferreira às 13:29 | link do post | comentar
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afonso ferreira às 10:54 | link do post | comentar | ver comentários (2)
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Sobre sete colinas, que são outros tantos pontos de observação de onde se podem desfrutar magníficos panoramas, espalha-se a vasta, irregular e multicolorida massa de casas que constitui Lisboa. Para o viajante que chega por mar, Lisboa, vista assim de longe, ergue-se como uma bela visão de sonho, sobressaindo contra o azul vivo do céu, que o sol anima. E as cúpulas, os monumentos, o velho castelo elevam-se acima das massas das casas, como arautos distantes deste delicioso lugar, desta abençoada região.

Fernando Pessoa, O que o Turista deve ver



afonso ferreira às 01:24 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Segunda-feira, 25 de Outubro de 2010

Às vezes penso que deveria escrever uma cartinha ao meu amor, toda manuscrita com a minha melhor caligrafia e em papel da ex-papelaria Fernandes.


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afonso ferreira às 23:56 | link do post | comentar
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afonso ferreira às 23:02 | link do post | comentar
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A inteligência manifesta-se de muitas formas. A idiotice em muitas mais.



afonso ferreira às 20:50 | link do post | comentar
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A começar a semana da melhor maneira. Agora venha o resto.



afonso ferreira às 13:42 | link do post | comentar
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Domingo, 24 de Outubro de 2010

Um encontro casual na rua deriva na ingestão de cafeína a olhar para a cidade. Contam-me coisas tão extraordinárias que ao chegar a casa dou comigo com um pacote de leite na mão a olhar para o infinito por tempo indefinido. 


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afonso ferreira às 16:45 | link do post | comentar
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Na mesma noite que ao ver umas fotografias fico aliviado – não sou que ali estou, são os outros –, fico também perturbado ao constatar que não há nada mais angustiante do que o sentimento podia ter acontecido.



afonso ferreira às 01:25 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Uma vida inteira a passar no Rossio e a ficar com o coração nas mãos. Não o voltaremos a ver, pelo menos no mesmo sítio, e ainda bem. O homem sem rosto foi operado e à sua espera tem uma vida nova. No Melancómico encontrei um texto que vale a pena ler.

 



afonso ferreira às 00:40 | link do post | comentar
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Sábado, 23 de Outubro de 2010

 

Começou pela garrafa. Observou durante alguns minutos, passou o dedo pelo relevo das letras gravadas no rótulo, apreciou a cor, o pequeno depósito que o tempo denunciava. Não tinha a certeza, mas parecia-lhe a garrafa que tinha sobrado daquele jantar. Procurou o saca-rolhas. Abriu-a, cheirou o vinho, inspirou a mistura de aromas e o cheiro na rolha. Lentamente, verteu todo o conteúdo num fio pelo ralo. Sentiu o cheiro agora mais forte, enjoativo, a pia tingida de sangue. Depois partiu a garrafa com uma pancada seca contra a pia. Com o cabo do saca-rolhas esmagou os vidros maiores até só restar uma mão cheia de pequenos diamantes sem valor. Com as mãos em concha transportou o seu pequeno tesouro até ao lixo. Não deixava de o surpreender a volatilidade dos objectos, o pequeno milagre da metamorfose de uma coisa em nada. Ainda há pouco era uma garrafa, agora já não existia.



afonso ferreira às 18:41 | link do post | comentar | ver comentários (3)
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afonso ferreira às 16:43 | link do post | comentar
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Quinta-feira, 21 de Outubro de 2010

 

Obrigado f., grande história, grande canção.

 



afonso ferreira às 23:59 | link do post | comentar
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Então? Hoje não há nada a contestar? Ninguém ferveu com a minha escrita? Nenhum bigode em chamas por causa de um post? Lá porque modero os comentários não quer dizer que não publique os mais jeitosos. Vá lá, comparado com a animação dos últimos dias isto hoje está um tédio, até consegui escrever duas horas seguidas sem interrupções. Seus medricas.



afonso ferreira às 18:04 | link do post | comentar | ver comentários (2)
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afonso ferreira às 01:25 | link do post | comentar
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Eu já achava estranho isto nunca ter acontecido. Numa semana este blog foi mais atacado que no resto do ano. Pois, pois. Como consequência os comentários passam a ser moderados. É a vidinha no seu esplendor. Querem zaragatas vão brincar para o 31 da Armada ou para o Jugular, aqui só há textos melancólicos e fotografias a preto e branco, não somos apologistas de emoções fortes. Vá, andor.



afonso ferreira às 00:34 | link do post | comentar | ver comentários (3)
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Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010

Jane Jacobs (behind the woman holding Save Penn station) and architect Philip Johnson

stand outside Penn station to protest the building's demolition in 1963

 

Devo muito a Jane Jacobs. Provavelmente a última grande activista americana, deixou um legado incontornável na luta por um planeamento razoável das cidades. O seu maior inimigo era o planeamento inflexível desde a base defendido por muitos como Le Corbusier. The Life and Death of Great American Cities é uma referência e defende a diversidade do espaço urbano contra a hegemonia que muitas vezes deriva na prática na destruição de velhas áreas para construir de raiz. Destruir é fácil, criar difícil, dizia Jacobs e toda a vida defendeu a mistura entre a velha e a nova arquitectura, a irregularidade contra a padronização. Os quarteirões deviam ser curtos, os edifícios albergarem diversas actividades e as ruas cheias de pessoas como medida contra o crime – eyes on the street, o conceito enunciado por ela ainda hoje é citado por muitos. A dança de actividades e pessoas distintas que uma zona velha cria ao longo de décadas uma vez extinta é impossível de recriar. 



afonso ferreira às 12:54 | link do post | comentar | ver comentários (2)
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afonso ferreira às 12:49 | link do post | comentar
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Enquanto espero aprecio a maquete branca do edifício, três minutos depois pedem-me que passe à sala de painéis de madeira e sofás de pele. Sento-me por três segundos, tenho de levantar-me e declamar o meu papel. Na garagem o carro fica sem marcha-atrás, são precisos três movimentos e três homens para o posicionar para a saída. Mais tarde chegamos ao destino sem conseguir colocar a terceira mudança. 



afonso ferreira às 01:43 | link do post | comentar
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Terça-feira, 19 de Outubro de 2010

 

 

 

Há dois livros que acompanham-me e encerram as melhores passagens da literatura erótica portuguesa – Sinais de Fogo de Jorge de Sena e Alexandra Alpha de José Cardoso Pires. De resto, em matéria de rebuliços amorosos, temos uma boa representação em poesia, quanto ao romance podemos falar de um desastre. Não faltam boas referências mesmo não caindo na tentação de evocar a sopa de peixe do José Rodrigues dos Santos por não sermos adeptos do humor óbvio. António Lobo Antunes tem uma situação que envolve um duche e um dedo no Explicação dos pássaros que é uma maravilha. Gonçalo M. Tavares (tu quoque, Brutus, fili mi!) estatela-se no Água, Cão, Cavalo, Cabeça. Ninguém disse que é fácil misturar soldados, cadáveres e prostitutas. Aliás, arrisco-me a dizer que qualquer texto que envolva prostitutas e sexo o respectivo autor deveria ser condenado a ler o Erotismo na Ficção Portuguesa do Século XX do António Mega Ferreira que deu um trabalhão a fazer por falta de material decente.



afonso ferreira às 13:22 | link do post | comentar | ver comentários (2)
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