Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011

Teve que escrever uma sinopse em dois minutos e saiu-lhe esta merda:


Uma noite de tempestade. Várias pessoas à deriva. Um carro, uma discussão, dois jantares, três separações, um morto, duas bebedeiras.

 

Agora pensa que para a próxima é melhor reservar mais tempo para estas coisas.

 



afonso ferreira às 22:42 | link do post | comentar | ver comentários (3)
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Domingo, 30 de Janeiro de 2011

Acordar cedo e combinar um brunch com vista para o rio, levar o corpo ao sol e estender os olhos pela água. Encontrar um navio de dez andares ancorado entre mim e o Tejo. Rir-me por ainda ter ilusões em trocar as voltas aos domingos.


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afonso ferreira às 22:30 | link do post | comentar
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Sábado, 29 de Janeiro de 2011

 

O homem foi com uma grande nuvem atrás à Casa da Sorte no Rossio levantar um prémio. Passou pelo painel dos signos mas desta vez não ficou a admirar os desenhos, seguiu em passo rápido com os olhos rentes ao chão coberto de papéis. No balcão desperta o interesse de quem o atende. Fazem-lhe a rábula do grande prémio, é o homem mais sortudo do mundo, uma fortuna que ali vai buscar. O homem acaba a sorrir com tanto teatro, guarda o prémio menor no bolso, demora-se na conversa mais do que esperava. Despede-se dos actores e segue a trote pela Rua Augusta, desfaz o nó à gravata, ridiculariza-se a si próprio, quem diria que um dia daria por si a jogar, ainda mais para agradar a alguém, vai a rir-se de si para si, a nuvem a esfumar-se. Quando chega ao arco já se sente o Pereira a caminhar decidido e leve por entre os transeuntes rumo ao rio em cenário de fundo. Sente compaixão por uma rapariga bonita com a pele da cara arruinada, observa um velhinho meditativo junto ao Caís das Colunas. Apercebe-se que não é neura que sente, é afinal um alívio de proporções épicas.



afonso ferreira às 23:53 | link do post | comentar
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Nunca conheci quem tivesse levado porrada.

Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.




afonso ferreira às 22:58 | link do post | comentar | ver comentários (3)
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Há duas categorias de pessoas sensíveis: as que são perante a vida e os outros e as que são apenas sensíveis consigo próprias.



afonso ferreira às 16:12 | link do post | comentar | ver comentários (2)
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Sexta-feira, 28 de Janeiro de 2011

A refinar a minha educação à conta da falta da mesma nos outros. Aprende-se muito por observação, quem me prejudica também me educa.



afonso ferreira às 19:39 | link do post | comentar
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Quinta-feira, 27 de Janeiro de 2011

 

 

 

Estava sentada no patamar das escadas de saída do metro do Rato, não tinha menos de sessenta anos, ao seu lado pousavam gorros e pequenas flores de lã que vendia a quem passava. Contava moedas, fazia contas à vida. Ao pé de um pequeno carrinho tinha um cartão a pedir ajuda. Terminava com a palavra Bem hajam. Passei pela senhora e continuei caminho, voltei atrás, também eu contei moedas nas escadas do metro, dei-lhe as que tinha na carteira. Olhou para mim com o semblante triste e agradeceu-me. Bem haja, disse-me num fio de voz dorido e os olhos azuis cansados.



afonso ferreira às 21:37 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Mister Lonely, Harmony Korine



afonso ferreira às 16:09 | link do post | comentar
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Uma noite inteira a sonhar. Diálogos, mapas, casas, pessoas, conduzir noutra cidade, o rio Douro no fim da escarpa, o restaurante na falésia. Mais estranho que acordar e recordar tudo, é perceber que este sonho é repetitivo. Já vivi esta história muitas vezes.



afonso ferreira às 11:25 | link do post | comentar
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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011

A caminho, na carruagem do metro onde me sento do teu lado esquerdo porque não ouves bem do ouvido direito, contas-me como chegaste a eles, o teu percurso na viagem que faço a teu convite. Levas uns anos de rondas por isso sabes o que dizes. Ligo a minha máquina de filmar às oito em ponto na estação de metro onde espero que chegues e que só haverei de desligar muitas horas mais tarde. A minha máquina de filmar nasceu comigo, é especial, nunca acaba a película e passado três décadas, com um arquivo imenso, começo pela primeira vez a questionar o que fazer com isto. O que fazer a isto tudo? Para que serve uma memória imensa, tantas histórias, umas boas, outras extraordinárias, outras tantas horríveis, as imagens, os diálogos, excertos e excertos de vida guardados. Enquanto não encontro uma resposta que tarda em chegar, continuo a filmar. Um dia chegou um email à caixa do blog, um convite para fazer uma ronda e eu aceitei. Haveria de passar algum tempo até se concretizar mas aqui estamos nesta noite fria a caminho. Quando saímos da estação ainda é preciso andar algum tempo até chegar à casa. Sigo no modo de gravação, falar o menos possível e ouvir com toda a atenção, técnica treinada e refinada ao longo do tempo e na qual já estou perto da perfeição. Tenho como objectivo um dia confundir-me com as paredes. Ao caminharmos preparas-me para o pior. Falas-me do homem que vive debaixo das chapas, do outro homem quase sem pernas que ocupou o terreno do Exército de Salvação, dos magotes de gente que aparece na estação de comboios. Que às vezes abraçam, contam histórias, mentem muito, mas isso tudo faz parte da relação estabelecida, que é sinuosa, um caminho de escarpas até conquistar a confiança deles.

 

(...)



afonso ferreira às 21:09 | link do post | comentar
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Duas noites seguidas a destilar de febre, o inferno em esplendor nocturno, os dias no limbo dos medicamentos. Cavaco? Quem?



afonso ferreira às 13:46 | link do post | comentar
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Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011

 

 

 



afonso ferreira às 23:24 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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...O meu pai nasceu em 1929, já em ditadura. Cresceu numa aldeia do Ribatejo, em ditadura. Veio a Guerra Civil de Espanha, havia refugiados do país vizinho pelos campos, "comiam até o musgo das paredes, com a fome que tinham" dizia-me ele de vez em quando. Depois a II Guerra Mundial, o racionamento, e as irmãs dele - minhas tias - adoeceram gravemente - "entuberculisaram", como se diz na Arrifana. O pai do meu pai morreu, e era ainda ditadura. O meu pai namorou e desfez-se o namoro, casou e teve filhos e enviuvou, e casou de novo com a primeira namorada e teve mais filhos e, em todo este tempo, era sempre, sempre, sempre a mesma ditadura. (...)



afonso ferreira às 13:48 | link do post | comentar
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Acordo de madrugada com uma discussão alheia à minha porta. Um drama com princípio e fim, razões, motivos, queixas, família, amor, ódio. Uma tragédia em três actos, um folhetim clássico com os papéis bem distribuídos. Será o gabinete a enviar mensagem? Já que não fazes nada de jeito, ó grandessíssimo preguiçoso, toma lá uma história a ver se alinhas umas palavritas.



afonso ferreira às 10:51 | link do post | comentar
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Domingo, 23 de Janeiro de 2011

... é que mal nos livramos de um, vem logo outro atrás.



afonso ferreira às 19:42 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Munido do Cartão de Cidadão dou várias voltas no meu bairro para encontrar as mesas de voto. Por erro atribuíram-me a zona vizinha, mas como é indiferente avanço sem pensar muito no caso. Chego e descubro uma sala com três pessoas a receber à mesa e três sentadas em amena cavaqueira a fazer companhia às outras. Consultam as listagens e entregam-me um pequeno papel com o meu número de eleitor. Fico à espera de mais instruções e simultaneamente dou por falta das mesas de voto. Explicam-me que tenho de dirigir-me ao prédio ao lado para votar. No segundo sítio dou o cartão e o pequeno papel com o número, entregam-me o voto e dirijo-me ao biombo. Quando regresso o insólito acontece. O número está errado, sobra-me na mão o voto dobrado em quatro a abanar no ar. Propõem-me guardar o voto enquanto esclareço a situação. Guardar? Entrego confuso o voto. E dirijo-me à sala inicial. A senhora de idade encarregue da listagem tem dislexia visual, troca linhas, é necessário uma régua para levar a tarefa a bom porto. Novo número, volto à sala de voto. Perguntam-me se desejo confirmar o meu voto. Penso dois segundos e respondo com ar ligeiramente desconcertado que confio naquela mesa. Coloco o voto na urna sob o olhar atento de todas as pessoas na sala. Há sorrisos e apertos de mão e pareceu-me ouvir palmas. Se isto não é um domingo em cheio.


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afonso ferreira às 18:27 | link do post | comentar
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Sexta-feira, 21 de Janeiro de 2011

 

... pelo Brasil à boleia do Atlântico-Sul. Depois de Roma as agulhas apontam para o Rio de Janeiro, enquanto não embarco faço a viagem pelas palavras.


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afonso ferreira às 12:52 | link do post | comentar
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Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011

 

 

 



afonso ferreira às 16:30 | link do post | comentar
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Há uma pilha de livros e uma lista de filmes para ler e ver. Há prazos e textos para serem escritos e capítulos para finalizar. Há um saco cheio de letras, um alfabeto desalinhado, e histórias ao vento à minha espera.



afonso ferreira às 13:01 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Dizem-me que o pior é o dia seguinte. Que chegamos a casa e dormimos e não pensamos mais, mas depois há o dia seguinte. Hoje.



afonso ferreira às 12:01 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011

Não se pode invocar violação do dever de aprumo na vida civil? Para insultos nos blogs, por exemplo? Dois dias de multa parece-me pouco, mas poderíamos ver caso a caso.



afonso ferreira às 14:15 | link do post | comentar
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Salvas-me de mim próprio a todas as horas.



afonso ferreira às 10:49 | link do post | comentar
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Gente chanfrada com provas dadas na ineficácia a viver, a dar sentenças absolutas sobre tudo – do amor à literatura. Louvados medicamentos psiquiátricos de última geração.



afonso ferreira às 10:33 | link do post | comentar | ver comentários (2)
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Numa semana em que o ponto alto foi ter adormecido a meio de uma conversa, sinto mais esperança do que nunca em superar a questão das insónias. Enquanto não alcanço a vitória, assisto ao documentário de uma indiana dançarina expulsa pela família.



afonso ferreira às 02:16 | link do post | comentar
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(...) As linhas grosseiras da parte inferior do rosto. O que mais impressionava, apesar do seu vigor, era a palidez mortal que lhe dava ao mesmo tempo um aspecto de cansaço e um feitio a bem dizer dolorosamente ardente, que não se coadunava com o insolente sorriso rude nem com a expressão dura e presunçosa dos olhos. Agasalhava-o um grosso sobretudo preto forrado de pele de carneiro e que não lhe deixava sentir o frio nocturno.

O Idiota, Dostoiévski


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afonso ferreira às 00:43 | link do post | comentar
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Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011

Homem dos livros.



afonso ferreira às 19:10 | link do post | comentar
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Talvez seja imperativo acreditarem que são boas pessoas e que o mundo é um lugar sórdido com ratoeiras em cada esquina, e embora alguns eventos contradigam o seu sentir, é assim que avançam sem questionar o próprio entendimento. Talvez persistam em erros crassos apesar de serem infelizes, das humilhações a que se sujeitam e as pessoas fecharem a porta depois da sua passagem. Talvez gostem de contar histórias, arquitectar ilusões não olhando a quem atingem ou prejudicam. Talvez sejam apenas pessoas menores sem direcção, pensamento ou substância. O mundo está perigosamente cheio delas. Sempre desprezei a falta de discernimento, pior do que ser pérfido é a ilusão do pérfido de que é boa pessoa.



afonso ferreira às 18:02 | link do post | comentar
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Uma sala, muitas pessoas, um prédio. Madrugada longa e a Sophia a declamar. Há noites em que o tempo pára.

 

 



afonso ferreira às 17:37 | link do post | comentar
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Em Fevereiro encontram-me aqui.

 



afonso ferreira às 15:50 | link do post | comentar
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Depois de um afastamento voluntário, uma pausa na mundanidade, volto e há mensagens, emails e telefonemas a responder. Ainda digo bom ano novo e desconfio que o vou fazer mais vezes. Contam-me casos preocupantes, divórcios, amizades desfeitas, problemas profissionais. Enquanto leio o Diário, no comboio ao longo do rio, torna-se inevitável pensar que à semelhança de 1941 os ecos da ocupação e dos campos de concentração infiltram-se na vida quotidiana. Lentamente, caminhamos para um ano horrível. Ouço e pouco digo, não tenho muitas palavras para oferecer neste momento, embora esteja contaminado por uma calma pouco habitual e esteja paradoxalmente esperançoso num ano que se adivinha infernal.



afonso ferreira às 13:39 | link do post | comentar
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