Quinta-feira, 28 de Abril de 2011

Sou o único da minha idade a cumprimentar os condutores dos eléctricos. Fui o único dos meus amigos ao jantar que não reconheceu o apresentador do Hugo.



afonso ferreira às 21:28 | link do post | comentar | ver comentários (6)
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Quarta-feira, 27 de Abril de 2011

 

 

As pessoas dividem-se entre as que observam e as outras, as que dão corpo à marcha.



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Terça-feira, 26 de Abril de 2011

Sofrer de insónias crónicas e adormecer na única altura em que era necessário estar acordado. 



afonso ferreira às 23:58 | link do post | comentar | ver comentários (3)
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Segunda-feira, 25 de Abril de 2011

 

Como pode ser-se idiota e, ao mesmo tempo, feliz, pergunta-me um leitor? Pois explico já. A idiotia e a felicidade são ideias muito vagas, difíceis de cingir em conceitos de circulação universal, digamos. Mas, pensando melhor, acho que certa idiotia é susceptível de conferir ao idiota seu proprietário (ou seu prisioneiro) uma espécie de segurança em si próprio que o levará, em determinados momentos, julgo eu, a uma beatitude muito próxima do que se pode chamar estado de felicidade.Assim sendo, não vejo incompatibilidade entre o ser-se idiota e o ser-se feliz. Bem sei que há várias maneiras de se chegar a idiota. (...) Se tivesse casado com ela (...) talvez tivesse sido feliz - não se sabe - idiota e feliz. Assim, fiquei longos anos idiota e infeliz, infeliz por ser idiota e saber que o era e que não podia deixar de o ser. Ora, um idiota que é infeliz por saber que é idiota já pode estar a caminho de deixar de o ser. É uma possibilidade. É a tal luz no fundo do túnel, como se disse tantas vezes a propósito da situação económica deste idiota de país. 

Não se espante, por conseguinte, o leitor de que um qualquer idiota possa, ao mesmo tempo, ser feliz. É, até, assaz corrente. Há idiotas que se consideram inteligentíssimos, o que é uma forma muito comum de idiotia, e extraem dessa certeza alguma felicidade, aquela maneira de felicidade que consiste em uma pessoa se julgar muito superior às que a rodeiam. 

O leitor gostaria de ser ministro ou secretário de Estado? Pois fique sabendo que há quem goste, embora - será justo dizê-lo - também há quem o seja a contra-gosto, por dever partidário ou patriótico. Os idiotas, de modo geral, não fazem um mal por aí além, mas, se detêm poder e chegam a ser felizes em demasia podem tornar-se perigosos. É que um idiota, ainda por cima feliz, ainda por cima com poder, é, quase sempre, um perigo. Oremos. Oremos para que o idiota só muito raramente se sinta feliz. Também, coitado, há-de ter, volta e meia, que sentir-se qualquer coisa. 


Idiotia e Felicidade, Alexandre O'Neill, in "Uma Coisa em Forma de Assim" 



afonso ferreira às 23:17 | link do post | comentar | ver comentários (3)
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Domingo, 24 de Abril de 2011

 

Às três no Marquês.

 



afonso ferreira às 22:03 | link do post | comentar
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afonso ferreira às 01:57 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Quinta-feira, 21 de Abril de 2011

O Facebook fechou hoje a minha página sem aviso. Três mil e tal amigos, não contando com os mil da página de fans e as mensagens e contactos de um ano e meio foram à vida. Perderam-se e não é possível recuperar. Mas como sou teimoso o blog já tem uma nova página aqui



afonso ferreira às 23:25 | link do post | comentar
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Quarta-feira, 20 de Abril de 2011

Atropelado pela Maria de Bélem pela esquerda e uma câmara de filmar em contramão.



afonso ferreira às 22:33 | link do post | comentar
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Terça-feira, 19 de Abril de 2011

 

 

 



afonso ferreira às 02:06 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Segunda-feira, 18 de Abril de 2011

Há nos autores actuais uma tendência para camuflar a falta de talento com humor ignorando que o humor é das coisas mais difíceis de ter talento.



afonso ferreira às 21:55 | link do post | comentar
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A semana finda com uma ida à feira de livros em saldos. Ataco as prateleiras na senda de aumentar a minha colecção de autores portugueses e na primeira ronda encontro vários volumes susceptíveis de serem adquiridos. Quanto aos preços deparei-me com critérios fora do vulgar. Alexandre O'Neill e João Pereira Coutinho a 2.50€, Manuel Alegre a 5€ e Rodrigo Moita de Deus a 6€. Alas políticas à parte, fiquei sem perceber esta inflação de preço de Moita de Deus perante os outros autores, até porque o Manuel Alegre era o única a ostentar capa dura. Depois de medir e pesar os volumes para averiguar o melhor rácio tamanho/qualidade/preço, acabei por optar pelo O'Neill por duas razões. A primeira é que tenho a felicidade de morar no mesmo prédio onde outrora viveu o escritor, facto que aliciou-me no momento da compra face à perspectiva de levar o O'Neill para casa no duplo sentido. Sempre gostei de actos simbólicos desta natureza. A outra razão é estar num momento de introspecção social, vulgo falta de paciência, e dos quatro é o único que está morto e é sabido que um defunto chateia muito menos que um vivo.

 

 

* post corrigido sob a nova lei de recolher obrigatório de cinco horas de sono por noite.



afonso ferreira às 01:23 | link do post | comentar | ver comentários (2)
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No filme, o homem queixa-se do fato que ficou sujo. Na legenda, o facto ficou imundo. 



afonso ferreira às 01:03 | link do post | comentar | ver comentários (2)
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afonso ferreira às 00:46 | link do post | comentar
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Sexta-feira, 15 de Abril de 2011

Já não saber qual é a última música da pista.



afonso ferreira às 03:26 | link do post | comentar | ver comentários (3)
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Quinta-feira, 14 de Abril de 2011

 

A senhora do café aproveita a minha entrada para fazer a piada. Temos uma troca de graçolas diárias combinada para confundir o quotidiano. Faz sinal com a cabeça para uma mesa de um casal de velhotes. Estão aqui desde o meio-dia, são cinco da tarde. Ele é surdo, ela tem alzheimer. Que lhe parece? O melhor é marcar hotel. Rimos. Sento-me a tomar o café com vista para a parelha improvável. Ela tem oitenta e muitos anos, ele já fez noventa. Ele era advogado e continua a ser o procurador dela. Discutem animados um caso antigo, um casamento que se desfez. Aquando do divórcio a mulher ficou sem nada. Antes do 25 de Abril era comum neste tipo de situações, embora o divórcio ainda fosse raro. Ele replica dizendo que era um casamento em regime de separação total de bens. Isso não era separação total de bens, era um roubo, diz ela. Para doente de alzheimer é mais lúcida que muita gente que conheço, penso eu a tentar esticar o café. Para surdo, ele ouve-a sem perder palavra. Depois falam de uma casa que parecem conhecer bem. E de pessoas e memórias em comum. A mãe dele era uma pessoa de má índole. Na realidade era mesmo , palavra deles. Parece que estragou os planos e as vidas de muita gente. Não fosse a mãe sem coração e teriam casado, revelam os dois no café numa tarde de sol.



afonso ferreira às 00:14 | link do post | comentar | ver comentários (11)
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Quarta-feira, 13 de Abril de 2011

Sempre que algo corre mal no país aparece logo alguém a defender ideias para correr ainda pior.



afonso ferreira às 23:34 | link do post | comentar
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Nunca confiar em pessoas que interrompem a conversa ou falam por cima. Se tratam assim as palavras dos outros, o que farão ao resto.



afonso ferreira às 18:48 | link do post | comentar | ver comentários (6)
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Terça-feira, 12 de Abril de 2011

 

Demorámos longos minutos a perceber se era a missa certa. Percorri as filas de bancos à procura de rostos conhecidos e mesmo quando os encontrei não fiquei convencido. Poderiam estar ao engano também. Mesmo assim decidimos ficar naquela missa. Logo se veria se ainda sou capaz de decisões sapientes. Passou um ano e por esse motivo aqui estamos. Venho à espera de discurso a condizer, não estou preparado para um padre a contar uma história de adultério, ou sexo desbaratado nas palavras dele. Depois há a senhora pequenina que abre uma portinhola de talha dourada no altar. Duas vezes marinha ela pelo altar e aquilo é mesmo perturbador. Começo a considerar estar na pior missa da minha vida. É inevitável distrair-me, a olhar para o tecto da basílica com olhos de carneiro mal morto, a pensar noutra missa que perdi e não há maneira de me perdoar. Uma missa em que o padre explicou ser a cerimónia para os vivos, o defunto já lá ia à vida dele (passe a frase parva de duplo sentido). A única missa que nunca poderia ter perdido, quem falava detinha a razão, as palavras eram a minha despedida. Conhecendo eu o defunto como conhecia, o padre estava certo. Estivesse ele presente na missa e tinha insultado o funeral de alto a baixo, não era pessoa para estar calado, ainda para mais sendo a festa dele. Palavras é que não lhe iriam faltar. Enfim. Não tendo estado presente contaram-me como tinha sido, mas foi a frase final, terias gostado das palavras, que coroou a minha grande falta e tristeza pela ausência. Enfim, enfim. Voltando a esta missa. A este flagelo actual. Esforço-me por prestar atenção à história pecaminosa de luxúria e redenção. Amén, corpo de Cristo, joelhos e benzer, já não sei se por esta ordem, mais a senhora do altar. Mas agora percebo que o pecado era só parte do enredo, afinal do que se falava era da mentira e do erro. Da acusação falsa, do colmatar a falha com a acusação néscia, e, coisa mais preciosa, que a idade não retira o poder ao erro, ele poderá ser cometido a qualquer altura e por todos. No fim dou a mão à palmatória e penso que, acaso ou não, até foi o discurso mais apropriado para este dia. E até o adultério fez sentido.



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Segunda-feira, 11 de Abril de 2011

 

 

 


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Domingo, 10 de Abril de 2011

Ao contrário da ideia vigente, nos restaurantes conotados com o gossip político não janta ninguém que tenha informações quentes. Aí só aparece quem desespera por saber alguma coisa ou precise realmente de um bife fora-de-horas (ver casos de anemia). As informações a escaldar passam em restaurantes onde a perspectiva de encontrar alguém do meio é nula. 



afonso ferreira às 19:54 | link do post | comentar
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Sábado, 9 de Abril de 2011

 

No dia 5 de Junho exerça o seu direito de voto.

 



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Quinta-feira, 7 de Abril de 2011

 

20h27. Eléctrico 28. Sem mais nem menos, desata a cantar um fado. Está sentado ao lado do amigo que ostenta o mesmo número infinito de rugas. Um telemóvel e uns fones partilhados, um para cada compincha. Onde estás, continuaaaaaa, ouvem na rádio Amália e um deles reproduz com voz coxa a cantiga para os passageiros. A ver-me esperar por tiiiiiiii. Dois velhos divertidos. Entra numa paragem um jovem trombudo, todo ele capuz e raiva muda. Os velhos gozam-no. Apontam o dedo e trocam piadas. Escorrem lágrimas pela cara abaixo de tanta piadola. Gozam os gestos do capuz mal aviado, gozam com o eléctrico e os passageiros. Mandam o mundo dar uma curva apertada. Antes de apearem na calçada, o que desafina ensaia uma dança tosca e oferece o último refrão. Ficam os passageiros de sorriso nos lábios.



afonso ferreira às 00:01 | link do post | comentar | ver comentários (3)
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Terça-feira, 5 de Abril de 2011

À hora de almoço fui atendido por uma Nívea. À tarde troquei emails com uma Mercedes.



afonso ferreira às 21:16 | link do post | comentar | ver comentários (4)
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Domingo, 3 de Abril de 2011

 

I.

Desconfio do alarme de despertar do meu telemóvel. Mais dia menos dia vou tramar-me. Um dia o cabrãozinho vai ficar sem bateria, vai engasgar-se, ou simplesmente não tocar. A pensar nisso estive meia hora na secção de relógios de uma loja. Descobri relógios meteorológicos, relógios com os fusos horários do mundo inteiro, relógios de cozinha para o assado não estorricar, quadrados, às bolas... O único com que simpatizei era chanfrado. Quando pegava nele apitava descontrolado, o painel destrambelhava, uma desgraça. Demasiado temperamental para mim. Depois pensei que na realidade não precisava de um despertador, precisava era de um adormecedor. Saí da loja de mãos a abanar. 

 

II.

Um trabalho que implicava enviar emails para o mundo inteiro, do Brasil ao Dubai, ocupou a maior parte da minha semana. Comprovo mais uma vez a nossa falha nacional em termos de produtividade e eficácia. Um email para o outro lado do mundo tem resposta no próprio dia, não obstante os fusos horários; em Portugal o mais certo é não receber resposta de todo. Para uma gestão mais eficaz do meu trabalho todas as mensagens tem um aviso de entrega. Querem saber quem é o campeão a apagar emails sem ler? O jornal i. Tirem as conclusões que quiserem. 



afonso ferreira às 20:08 | link do post | comentar
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Sexta-feira, 1 de Abril de 2011

 

 

 



afonso ferreira às 20:56 | link do post | comentar
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Num impulso lembrei-me de começar a gritar Bom dia e Boa noite a quem nunca responde. Aos berros e com um sorrido estúpido na cara a acompanhar. Tem surtido efeito. A maioria responde. Nem que seja por medo.



afonso ferreira às 01:28 | link do post | comentar | ver comentários (2)
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