Terça-feira, 31 de Maio de 2011

Enamoramento - masc. sing. de enamorar; princípio de todas as coisas, viagem de descoberta do outro.



afonso ferreira às 14:46 | link do post | comentar
|

Domingo, 29 de Maio de 2011


afonso ferreira às 19:46 | link do post | comentar | ver comentários (1)
|

 

Reparei primeiro no tablier. Coberto de autocolantes, bonequinhos, peluches, medalhas, bugigangas. A parafernália continuava alegremente pelos bancos com lenços e penduricalhos. Quando olhei para o tecto e descobri mais calquitos, comecei a ficar intrigado. O taxista – meia-idade, poucas palavras – não denunciava a nacionalidade, para todos os efeitos falava português, mas eu imagino-o como o típico motorista indiano a guiar uma decoração ambulante. Por acaso, se conjugasse as barbas fartas com um turbante poderia facilmente transportar-me para uma rua de Bombaim. Volto à decoração e no meio daquilo tudo encontro um autocolante da cidade de Aveiro. Lá se vai a fantasia. Descubro um pirilampo mágico vesgo e roxo a abanar as antenas para mim e uma catafrada de autocolantes almofadados com bonequinhas japoneses. Os tons cor-de-rosa e vermelho dominam o cenário e até o volante tem direito a fitinhas que abanam a cada guinada. Quando pensei que já não aguentava com tanta mariquice pegada, o motorista atirou pela janela do taxi para a via pública uma valente e consistente escarreta. 



afonso ferreira às 01:03 | link do post | comentar | ver comentários (3)
|

A persistência em mim é uma espécie de fé.



afonso ferreira às 00:53 | link do post | comentar | ver comentários (4)
|

Sábado, 28 de Maio de 2011

Estupidamente feliz.



afonso ferreira às 01:57 | link do post | comentar | ver comentários (1)
|

Sexta-feira, 27 de Maio de 2011

Vou só ali dormir um par de horas e já publico o último capítulo. 


Arquivado em:

afonso ferreira às 14:33 | link do post | comentar
|

Life is very, very strange, and then you die.



afonso ferreira às 01:21 | link do post | comentar
|

 

Cheguei a casa e não tinha o coração comigo. Estes roubos urgem serem severamente punidos. Não deveria ser permitido cruzarmo-nos com criaturas diáfanas à solta que pedem cigarros sem avisar e nos desviam das conversas confortáveis de sempre. Deveriam ser multadas sem dó quando decidem raptar incautos para desfiar histórias de trufas e restaurantes com anémonas. E julgadas em tribunal marcial por dizerem tudo com graça, olhos dengosos e cabelos ao vento. Se tudo acontecer ao entardecer, a hora mais perigosa do dia, deveriam ser aplicadas duras sanções. Mas o castigo maior ficaria reservado por despedirem-se com palavras sussurradas ao ouvido, sem largarem o nome, e com corações alheios pela trela. Raios partam.

 



afonso ferreira às 00:10 | link do post | comentar | ver comentários (5)
|

Quinta-feira, 26 de Maio de 2011

Trabalhar num open space repleto de pessoas com muros no pensamento.



afonso ferreira às 21:40 | link do post | comentar
|

Domingo, 22 de Maio de 2011

Com ganas de entrar em período de reflexão indefinido.



afonso ferreira às 22:03 | link do post | comentar | ver comentários (3)
|

Sexta-feira, 20 de Maio de 2011

Família, amigos e pessoas importantes na minha vida ensinaram-me a combater aqueles que atacam, a ter costas largas, a não ceder, a desprezar o vil e a mentira, a curar facadas nas costas. E ainda bem. Mas nunca ninguém me ensinou o que fazer em relação ao amor em excesso.



afonso ferreira às 01:27 | link do post | comentar | ver comentários (14)
|

Quarta-feira, 18 de Maio de 2011
Mahler, cem anos depois  por Augusto M. Seabra no Público.


afonso ferreira às 22:18 | link do post | comentar
|

Ainda hoje em dia, muitas pessoas de disposição materialista continuam a apreciar explicações metafísicas, porque estas encontram algo de muito significativo em coisas que outros pontos de vista consideram desagradáveis ou mesmo desprezíveis. Quando alguém se sente insatisfeito consigo próprio, pensa imediatamente que a cama tem de ser posta no outro canto do quarto, ou que os estrangeiros é que têm a culpa, ou até mesmo os extraterrestres. Nunca se sentir responsável por nada e achar tudo interessante ao mesmo tempo, este é um sentimento que devemos à metafísica. As pessoas andam à procura de um prodígio maravilhoso que resolva todos os conflitos, de uma salvação imediata e definitiva. 

Russendisko, Wladimir Kaminer



afonso ferreira às 20:59 | link do post | comentar
|

  

Decidi fazer uma pausa e saí da gaiola em direcção ao jardim. Abandonei o corpo num banco e fechei os olhos por uns segundos para espantar o cansaço dos dias. Sinto um bater de asas perto de mim e é quando o vejo – castanho, pequeno, impávido. Faço uma aposta comigo próprio, se serei capaz de lhe pegar antes que esvoace em direcção ao céu. Vou de mansinho, rastejo, dou pequenos estalinhos com a língua para o sossegar e eis que sou recompensado com um corpo quente entre as mãos. Asas, bico, olhos, coração e tripas. Deixa-se pegar sem queixumes. Regresso à caixa-forte com um sorriso de orelha a orelha, mostro aos outros o animal aninhado, armo-me em parvo a mostrar a minha habilidade. Quando volto ao jardim para o deixar partir lembro-me do outro pássaro num passeio pelo norte há três décadas. A montanha numa tarde de calor indolente e a capela branca a espreitar no cimo do monte. Quando alcançamos a porta principal encontrámos o cadáver. Deitado de lado, as duas asas juntas, a cabeça na laje. Os adultos olharam para o pequeno corpo ainda quente e suspiraram. Parece que fez de propósito, desejou morrer à porta de Deus. Foi com o pássaro moribundo que intuí aos cinco anos que seria sempre agnóstico.



afonso ferreira às 00:06 | link do post | comentar | ver comentários (2)
|

Domingo, 15 de Maio de 2011

E os casos extraconjugais e os divórcios também.



afonso ferreira às 14:34 | link do post | comentar | ver comentários (1)
|

Sexta-feira, 13 de Maio de 2011

De muito mau gosto dar facadas nas costas dos amigos numa sexta-feira 13, dia de Fátima.



afonso ferreira às 12:28 | link do post | comentar | ver comentários (1)
|

Quinta-feira, 12 de Maio de 2011

 

 

Quando digo algo é a única pessoa do grupo que não olha nos meus olhos. É gentil e calorosa com todos menos comigo. As poucas vezes que me dirige a palavra é sempre para discordar. Não tenho dúvidas. É amor e do profundo.

 



afonso ferreira às 23:36 | link do post | comentar | ver comentários (6)
|

  

Que no passado espatifámos todo o dinheiro da CEE sem deixar obra feita. Que existe uma forte probabilidade de não pagarmos o empréstimo actual. Que é pouco provável que a lição seja aprendida.



afonso ferreira às 02:11 | link do post | comentar | ver comentários (5)
|

Quarta-feira, 11 de Maio de 2011

A minha mãe tem razão, no A causa foi modificada.



afonso ferreira às 12:21 | link do post | comentar
|

...que os homens são as novas mulheres. Não é teatro, é genuíno. Sinal dos tempos.



afonso ferreira às 02:39 | link do post | comentar
|

 

 

À hora de almoço o centro comercial está à pinha. Aborda-me timidamente enquanto caminho em direcção aos lavabos. Poderia enviar uma mensagem?, pergunta, ao que respondo de forma afirmativa, desconcertado, não percebendo o pedido de forma clara. Entrega-me o telemóvel e fico ainda mais desorientado. Ainda ponderei que não tivesse saldo e estivesse a pedir para enviar uma mensagem urgente. Quando fico com o telemóvel cor-de-rosa de teclas minúsculas nas mãos percorrem-me todos os mitos urbanos pela espinha abaixo. Espera lá, é assim que desaparecem pessoas e roubam rins na forma gentil dos talhantes. Quantos emails já leste tu na tua vida a garantir que raptam pessoas no Colombo e que uma criança foi encontrada de cabelo à escovinha e transvestida na casa-de-banho do Cascais shopping? E o marido que desapareceu na sala de embarque da Portela? Mas tu estás parvo, pá? Vejo as mãos dela a tremer e as minhas suspeitas aumentam. Meu grande estúpido. Vejamos. Uma mulher bonita e trémula em aflição, um pedido que ninguém diz que não, um sítio público apinhado e simultaneamente cheio de pessoas indiferentes à vida alheia. Começo a pensar se é possível viver sem um rim. Sim, para alguma coisa existe a hemodiálise. E dois? Alguém sobrevive sem dois rins? As listas de espera são longas? E se rejeitar o transplante? Discretamente olho por cima do meu ombro direito mas não vejo ninguém suspeito. Idiota. Qualquer pessoa que esteja desconfiada olha para trás, se houver alguém suspeito estará em frente. Ou à esquerda? Espera, isto tem uma varanda. Raios. À minha frente tenho a mulher a tremer das mãos e de olhar nervoso. A curiosidade matou o gato. Acabo por perguntar o que deseja que escreva. Só uma frase

 

Serei sempre tua beijos do teu tesouro

 

Escrevo a mensagem e devolvo-lhe o telemóvel. Desculpo-me por a frase não ter um ponto final, não encontrei a tecla, e com a sua resposta percebo que a mensagem é para um homem. Agradece-me e pede desculpa efusivamente por ter incomodado. Desaparece como apareceu, no meio da multidão. Pego nos rins intactos e vou à minha vida.



afonso ferreira às 01:07 | link do post | comentar | ver comentários (5)
|

Primeiro foram os relógios de pulso em tenra idade. Depois os despertadores. Mais tarde uma máquina de fotocópias e vários computadores. Mas um autocarro foi a primeira vez. Estando o país na debilitada situação económica que todos conhecemos, peço desculpa aos contribuintes pela avaria do autocarro 74 nas Amoreiras. 



afonso ferreira às 00:19 | link do post | comentar
|

Terça-feira, 10 de Maio de 2011

 

Desculpa lá pá, mas isto bate as irmãs.



afonso ferreira às 00:46 | link do post | comentar | ver comentários (2)
|

Domingo, 8 de Maio de 2011

 

Na Feira do Livro permaneço por alguns minutos ao lado de dois homens que conversam. Um conheço vagamente, o outro não tenho ideia de quem seja. Conversam animadamente sobre um terceiro homem. As notícias são boas e más. As boas é que namora com uma tipa gira. Aquela? Sim, pá, aquela. As más é que o ex-namorado dela está neste momento a atravessar a Europa à boleia só para a ver. Está tramado, é a sentença. Contra um gesto destes não há homem que se aguente. Eu disfarço, olho para uma banca de livros, miro quem passa, acendo um cigarro. Faço tudo para não largar a conversa. Algo me diz que não devo perder o resto.



afonso ferreira às 12:20 | link do post | comentar | ver comentários (8)
|

Uma hora depois continuo sem saber o que queria escrever, mas a propósito de nada lembrei-me que alguns daltónicos vêem os dentes caninos das pessoas sempre verdes em vez de amarelados. Nem quero imaginar o tipo de informação inútil o meu cérebro vai continuar a despejar esta noite em vez do texto pretendido.



afonso ferreira às 02:07 | link do post | comentar | ver comentários (2)
|

Ligo o portátil de forma empenhada, arregaço as mangas, entro na página do back office do blog e crio um novo post. Depois, nada. Nem uma linha, uma palavra ou ideia ténue. Esqueci-me completamente do que pretendia escrever. Só sei que estava muito contente comigo próprio. 



afonso ferreira às 00:53 | link do post | comentar | ver comentários (2)
|

Sábado, 7 de Maio de 2011

 

 

Esbarramos numa festa e falamos de coisas banais. O malefício do tabaco e que desejos percorremos como forma de matar o tempo nas respectivas vidas. Depois combinamos encontro na mesma noite noutra festa. No balcão do Lux com duas imperiais na mão fazemos contas aos anos da amizade. Parece que já contamos com vinte e um em cima. Ou melhor, vinte, porque no primeiro ano lutávamos em campos opostos. Segundo o meu amigo, a nossa primeira memória é ele a tentar desmanchar o meu focinho. Faço um esforço de memória hercúleo e não recordo a situação. Mas ele desfia os pormenores, foi uma coisa de grupo, nem hoje sabe o motivo para ter feito aquilo. Cercaram-me e parece que eram muitos. A ideia era darem-me uma sova. Não recordo a situação, nem como é que escapei vivo. Faz um ar melancólico e diz que ainda hoje recorda com nitidez aquele mal fadado dia e que é das situações na sua vida que mais lamenta. Sou apanhado de surpresa com a declaração, fico a abanar o copo no ar e a pensar que para alguém que tem como principal característica uma memória acima da média, não recordar esta quase cena de pancadaria não deixa de ser insólito. Pergunto-lhe o motivo, por que desejava ele bater-me e a sua resposta faz-me perceber os vinte anos seguintes e todas as batalhas onde entrei, levei no focinho, desfiz uns quantos, espetei bandeiras, sofri nódoas negras, perdi guerras, conquistei territórios: parece que não me calo. 



afonso ferreira às 02:58 | link do post | comentar | ver comentários (1)
|

Há determinadas situações em que quando afirmamos já estarmos habituados é porque jamais nos habituaremos. 



afonso ferreira às 02:04 | link do post | comentar | ver comentários (1)
|

Sexta-feira, 6 de Maio de 2011

Deveria ser proibido tantos sentimentos contraditórios numa só noite.



afonso ferreira às 03:06 | link do post | comentar | ver comentários (2)
|

Quarta-feira, 4 de Maio de 2011

Ou aumentou o número de auriculares ou o número de malucos a falarem sozinhos.



afonso ferreira às 16:58 | link do post | comentar | ver comentários (2)
|

Dezembro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


Artigos recentes

the end

Sleepless people

provérbio transmontano

cry me a river

Falta de rigor

obrigado

prémios literários

meia-noite

battle

status

Día domingo

imaginação

virtudes públicas, vícios...

fios

Estudos de um processo

constatação de sábado

A história de uma tragédi...

Dias felizes

A Alice é psicótica

debandada

Arquivo

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Arquivado em

a minha língua é a pátria portuguesa

cartas

casamento gay

coisas extraordinárias do gabinete

conversas de caserna

corrupção

dias felizes

domingo

domingos

estudos

ghost writer

gira-discos

grandes crimes sem consequência

literatura

mercados

mundo virtual

outras cidades

paixonite

pequenas ficções sem consequência

perdido no arquivo

playlist

relvasgate

sonhos

suicídio público

taxistas

telenovela

um homem na megalópole

vendeta

viagens

todas as tags

links
Twitter
subscrever feeds