Quarta-feira, 28 de Setembro de 2011

É naquilo que não te digo que residem todas as minhas palavras.



afonso ferreira às 00:19 | link do post | comentar | ver comentários (5)
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Domingo, 25 de Setembro de 2011

 

I. Olhar para o desejo à semelhança de uma imagem projectada no ar. Doer uma omoplata e o espaço entre o pescoço e o coração. Não dormir e sonhar acordado. Estender o tempo em círculos nocturnos perfeitos. Despedidas em ruas sujas de restos febris e olhares espantados. Cair da cama abaixo. Espalhar moedas e isqueiros nos interstícios das palavras. Dar cabo do estômago com cafeína.

II. Os dias alongam-se e há horas impossíveis para tudo. Tu tens é sono, sussurra o escaravelho que assentou arraiais na minha escrivaninha. Agora não me doí nada. Talvez uma impertinência aqui ou acolá, nada de monta. Há algo de asséptico em ser bem sucedido. Substituir sangue e lágrimas por suor e saliva, coisas sem valor por pedraria valiosa. As imagens continuam a chegar – escadas rolantes paradas, ondas, instantes mais ou menos felizes, loucuras, mazelas, pontas por atar, pequenos nadas de uma comunhão. 



afonso ferreira às 13:58 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011


afonso ferreira às 01:02 | link do post | comentar
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Domingo, 18 de Setembro de 2011

"Domingo irei para as hortas na pessoa dos outros.
[...] Haverá sempre alguém nas hortas ao domingo."


Álvaro de Campos


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afonso ferreira às 20:58 | link do post | comentar
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Hoje acordei, e por qualquer coisa que sonhei que já não recordo o que tenha sido, fui remexer no passado. Nas mensagens, nas coisas que enviámos um ao outro em Setembros passados. Foi nostálgico? Não. Na verdade senti um grande tédio. As mensagens foram corridas em passo de corrida a evitar ler o conteúdo, retida uma ou duas palavras ou datas apenas para facilitar a busca do que procurava. Não pensei francamente em nada de especial. E não sinto curiosidade em relação ao presente. Frankly, my dear, I don't give a damn. E é óptimo sentir isto.


afonso ferreira às 13:48 | link do post | comentar | ver comentários (5)
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Sexta-feira, 9 de Setembro de 2011

 

São muitos e caminham em várias direcções numa alegria furiosa. De vez em quando, a avenida é cortada por ruas estreitas de sentido único e os táxis são respeitosos. Nada de buzinarem à multidão. Ele conta-me, enquanto tentamos sobreviver à turba dos corpos em festa, que no país onde esteve recentemente é ao contrário, mesmo que não haja trânsito os peões permanecem medrosos no passeio à espera do sinal verde. Morrem que nem tordos na estrada. Nunca viu um povo respeitar tanto os sinais. Eu lembro-me logo dos mortos numas férias fatídicas há mais de uma década. O que mais me impressionou foi o homem das compras no mercado. O cesto carregado de frutas espalhado no alcatrão e a minha incredulidade perante a distância entre o carro de vidro estilhaçado e o cadáver. O homem mortíssimo, as romãs a rolarem pelo asfalto num dia quente e límpido, as palmeiras espantadas na estrada, e tão pouco sangue, apesar de tudo, a lembrar que para o fim, uma manhã de Verão basta.



afonso ferreira às 01:49 | link do post | comentar
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Segunda-feira, 5 de Setembro de 2011

Nem há um dia cheguei à cidade e o pior confirma-se em todo o seu esplendor – está tudo na mesma.



afonso ferreira às 23:42 | link do post | comentar | ver comentários (6)
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