Domingo, 29 de Janeiro de 2012


 

O empregado do café não admite que o contradigam, o espaço está uma vergonha, é lixo por todo o lado, ervas espreitam a cada canto. O guarda diz que não, não, não é verdade, tem de lá ir ver, está tudo limpo e arranjado, um brinquinho. As duas idosas na mesa a bebericar chá estão com o dom da palavra, dantes é que era uma coisa bem feita, os jardineiros eram uns bêbados mas trabalhavam bem, era ver os homens tortos, pinga de manhã à noite, mas havia dálias, flores a perder de vista, os canteiros arranjados, as árvores esticadas em direcção ao céu. O empregado esfrega as mãos no pano da loiça sujo e pergunta por que raio não está a passagem para a torre aberta e o guarda defende-se, se eles para lá levam crianças de palmo e meio, naquele sítio onde não há protecção, à mercê dos caprichos do acaso, se surge acidente não há quem acuda, é tragédia certa. O empregado afirma que se afinal está tudo limpo e arrumado, se não aparecem ervas a toldar a vista, então está bem, está muito bem, mas o que está mal é o preço, é preciso deixar os anéis e os dedos para entrar, está mal, está mal. O castelo é património de todos, ó que raio. A mulher de rugas a tiracolo não se resigna, dantes via dálias, muitas dálias e pavões, eram uns bêbados mas nas fontes e bicas corria água com prazer. 


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afonso ferreira às 18:25 | link do post | comentar
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Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

A Livraria Portugal, a funcionar há 70 anos na Rua do Carmo, no Chiado, vai encerrar devido à quebra nas vendas, revelou um dos sócios à agência Lusa.

A histórica livraria, que faria 71 anos em maio próximo, chegou a ter 50 funcionários, restando hoje cerca de uma dezena.



afonso ferreira às 15:59 | link do post | comentar
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Foto  Pedro Loureiro


Uma crónica crítica em relação a Angola, do jornalista Pedro Rosa Mendes, terá levado a RDP a acabar com o espaço de opinião "Este Tempo", da Antena 1. (...) “A ser verdade, esta atitude é um acto de censura pura e dura”, sustenta o jornalista, que aborda nessa crónica a emissão especial que a RTP pôs no ar na segunda-feira, 16 de Janeiro, em directo a partir de Angola. A chamada telefónica que serviu para anunciar-lhe o fim deste espaço de opinião foi feita por “um dos responsáveis da Informação” da Antena 1, continua o jornalista, que não quis especificar quem daquele departamento lhe comunicou aquela decisão. 

 

 

O programa em causa.



afonso ferreira às 11:28 | link do post | comentar
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Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012

The Guggenheim Museum has digitized a ton of its out-of-print publications and is offering them free. This is a treasure of art literature as well as great book cover design.



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afonso ferreira às 00:38 | link do post | comentar
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Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012

 

 

 

 

 

 

I. Atacar de forma sistemática alguém nem sempre representa ódio, geralmente é amor.

 

II. Um amor não correspondido que se sustenta durante anos não justifica uma pessoa apaixonada mas uma gravemente doente.

 

III. Algumas pessoas mudam. Mas são muito poucas.

 

IV. Uma coisa grotesca não o deixa de ser por a maioria aplaudir.



afonso ferreira às 21:16 | link do post | comentar | ver comentários (2)
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Quinta-feira, 5 de Janeiro de 2012


afonso ferreira às 21:42 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2012

 

Estar trancado em casa a trabalhar o dia todo excepto umas excursões rápidas ao café da rua para atestar de cafeína começa a produzir efeitos secundários. Um dos mais visíveis é uma tendência excessiva para o consumismo desenfreado. Hoje o dia finalizou com uma quase compra de um móvel vintage e um cão. Se a compra do móvel ainda consigo justificar de forma racional, há sempre estantes a menos para os livros e tralhas que pululam na minha toca, a do cão é mais problemática por ser de foro muito sensível. Estou indeciso se o cão colmata uma falha sentimental ou se o que tenho é medo dos ladrões. Nenhuma das duas opções é boa.



afonso ferreira às 23:19 | link do post | comentar | ver comentários (4)
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Fui ver e gostei. Arrisco a dizer que é um filme lapidar na carreira de Lars Von Trier. Os críticos arrasaram o filme e persiste a dúvida: o filme é de fraca categoria ou a crítica depende da quantidade de barbaridades possíveis de serem proferidas numa conferência de imprensa. A obra é independente do estatuto de persona non grata ou vale por si só?


afonso ferreira às 18:11 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Não tenho resoluções para o novo ano, nenhuma treta de deixar de fumar ou comer menos fritos, mas quero despedir-me do anterior com pompa e circunstância. Não direi que fechei com chave de ouro, mas quase. Mesmo que seja difícil explicar o que correu bem. 


afonso ferreira às 15:53 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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