Sexta-feira, 1 de Julho de 2011

Acordo, percebo que dormi oito horas pela primeira vez em cinco meses, e saio ainda ensonado para tomar o pequeno-almoço. Pelo caminho percorro o quotidiano – as obras na casa do primeiro andar; o segurança dos juízes mais atento às raparigas em flor do que à insegurança; um homem de ar cabisbaixo; o eléctrico a ranger; os turistas a ruminar colina acima, colina abaixo. No café tenho direito a uma pequena peça de teatro da qual usufruo enquanto saturo as veias de cafeína. A conquista amorosa a decorrer para gáudio das minhas pálpebras pesadas. Talvez por ter lido ontem um texto que me exasperou, talvez por as voltas na minha própria vida guiarem a minha atenção, dei por mim a assistir à rábula e a interrogar-me por que razão as pessoas revelam o seu lado pior quando tentam conquistar alguém, em vez de oferecerem o seu melhor. Isto agora ficava a matar com uma citação do Bauman mas para isso precisava de mais café no bucho. 



afonso ferreira às 12:38 | link do post | comentar
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3 comentários:
De Carla Ferreira a 1 de Julho de 2011 às 13:31
Provavelmente, aquela derradeira sensação de alívio inicial. Já dei o lado lunar. Sobreviveu? A partir daqui são só coisas boas. Comigo, ainda ninguém aguentou até chegar à parte boa.


De Cristina a 2 de Julho de 2011 às 20:16
Fez-me lembrar uma estranha conversa, que me arrancou de um sono profundo às cinco da manhã, entre uma "minina" (que trabalhava na numa das casas de alterne das redondezas e morava no meu prédio) e o indivíduo cigano que as transportava... Não voltei a dormir nessa madrugada. Mas passei uma boa meia hora a rir à gargalhada sozinha...


De dg a 2 de Julho de 2011 às 20:32
gosto especialmente de "talvez por as voltas na minha própria vida guiarem a minha atenção". um abraço, dg


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