Sexta-feira, 30 de Março de 2012

Quando é que perdi a capacidade de olhar? Chegas e dizes o óbvio. As palmeiras engoliram a cidade, já não se vê a outra colina da janela, só uma nesga, os anos passaram e as árvores cresceram e engoliram-me, à cidade e a mim, e eu não vi por estar demasiado ocupado a olhar para o chão. Relembras-me histórias, pequenos eventos. Não recordo nada, apenas uns farrapos dispersos. Eu, que tenho memória de lince. Atalhas caminho e vais directo ao assunto. O que penso de estabelecer um compromisso? Percebo que estou completamente submerso em atavismos e que foi tudo duríssimo. Sou um náufrago, vivo mas ainda à deriva, incapaz de ver terra.



afonso ferreira às 14:34 | link do post | comentar
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3 comentários:
De Fátima Soares a 30 de Março de 2012 às 14:59
Dizer que gostei é pouco. Talvez eu seja cinzenta ou desbotada, mas estas palavras são irmãs da melancolia e tão tocantes como bonitas. Não que tudo o resto ou o conjunto seja belíssimo, só que há algumas que nos parecem que os dedos tocam nas teclas com alma de génio. Um beijinho se posso atrever-me a mandar-lho sem qualquer "compromisso" (desculpe qualquer dia atira-me uma pedra e põe-me daqui para fora por uma orelha) por eu estar sempre a brincar, mas não é por mal. Faço-o com admiração que lhe reconheço. Bfsemana


De Teresa a 30 de Março de 2012 às 15:53
brindemos aos sentimentos, ao momento... os compromissos que se pedem são impossíveis de cumprir... não entendo por que razão não temos coragem de gritar alto: Para sempre, não existe!

(por favor, não pare de escrever... estou viciada neste blogue)


De Joana Cunha a 31 de Março de 2012 às 18:38
Gostei muito


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