Terça-feira, 10 de Abril de 2012

Um dia de cegos, é o que vos digo. De manhã uma seca tremenda para fazer um exame oftalmológico no hospital que me deixou cegueta a esfregar os olhos até à noite. Depois o cego a fazer compras. Um belo homem, olhos de um verde profundo, bem vestido, pose de almirante em terra. Ao meu lado a fazer compras para a despensa, tudo em versão homem-solitário – uma sopa, embalagem de carne para um, garrafa de vinho. A marcar o código do multibanco e eu a admirar a coragem, a calma e a força. Aquele homem merecia uma mulher-actriz-de-cinema ao lado, nada menos que isso. Eu que passei uma infância aterradora a pensar que iria ser cego em adulto, não posso ver um que fico fascinado, ajudo a atravessar estradas, carrego sacos, faço conversa. E depois à noite, já a madrugada a bater nas janelas, encontro outro tipo de cegueira – a do cego que não quer ver, o pior de todos.



afonso ferreira às 02:26 | link do post | comentar
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3 comentários:
De Miguel da Fonseca a 10 de Abril de 2012 às 06:06
Assim de repente só tenho na algibeira uma amiga que faz figuração em publicidade de vez em quando para pagar as contas. Não é uma estrela de cinema, mas vivemos tempos de austeridade. Consta ser cega para lá da visão terrena quando o copo do peito transborda, o que a enternece aos olhos dos amigos líricos e aos outros afasta. A visão sobre quatro rodas após um jantar em boa companhia também não orgulharia nenhum oftalmologista...


De afonso ferreira a 10 de Abril de 2012 às 21:04
isto é um monólogo? eheheh


De Miguel da Fonseca a 10 de Abril de 2012 às 21:13
Estava a ser até tu vires e interromperes a conversa que o meu ego estava a ter com o alter-ego. Agora perdi-me e vou ter de começar do princípio. :P


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