Sexta-feira, 10 de Agosto de 2012


Há uns anos, descobri o António Zambujo e fiquei rendido. Trabalhei muitas horas ao som da sua voz, troquei algumas mensagens com ele sempre na qualidade de admirador confesso, coisa que raramente posso mencionar em relação a outros artistas. Nessa altura, alguém das minhas relações ofereceu-me um bilhete e numa noite amena rumamos em direcção ao São Luiz para um espectáculo memorável. Infelizmente tudo me levava a desconfiar que o meu acompanhante não era uma pessoa de boa índole, e, mais tarde, confirmei mesmo que a pulhice se estendeu até ao próprio convite em si. O resultado foi ter deixado de ouvir o Zambujo durante anos, uma associação inconsciente a algo que desprezava profundamente, uma assossiação de ideias injusta mas à qual não consegui fugir. Alguns anos depois, e com um processo a correr nos tribunais comprovando que o meu asco moral não era desprovido de razão, descubro-me a meio de uma tarde ensolarada no escritório a cantarolar uma das minhas canções preferidas, e percebo, finalmente, que com a aproximação à justiça dos tribunais também a justiça a Zambujo foi alcançada – caramba, que voz, como foi possível ter-me afastado disto tanto tempo.



afonso ferreira às 17:26 | link do post | comentar
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2 comentários:
De Fátima Soares a 10 de Agosto de 2012 às 21:21
Ao ler este post sorri, no bom sentido claro. Ao achar tanta afinidade de comportamento. Talvez nem sejamos só nós, que por "associação" duma má experiência, descarreguemos em cima daquilo que não tem nada a ver com o assunto (neste caso a música e António Zambujo), só porque ficamos de tal modo contrariados e ultrajados com a acção de outrem , que só de pensar em algo que a possa recordar, seja o que for, nos contraria. A ponto de deixar quase doentes! Tive assim um tempo em que algo de muito grave me aconteceu e eu, que adorava cantarolar alto e ainda hoje o faço, deixei pura e simplesmente de entoar um acorde, por cerca de dois anos...Talvez o tempo que levou a "cura" da minha desilusão e contrariedade. Realmente o ser humano é uma máquina intrincada, o nosso subconsciente então...E maravilha-me essa fronteira. Fascina-me que por mais que queiramos, ou arranjemos desculpas ou explicações, nunca conseguiremos desvendar na realidade as nossas portas trancadas que nos fazem agir e reagir a certos estímulos. Um bfsemana.


De dg a 13 de Agosto de 2012 às 10:07
que boa reconciliação, em especial porque o antónio zambujo merece e serena. ninguém canta e interpreta como ele. se puder, veja-o novamente ao vivo e a associação desvanecer-se-á na íntegra, ele é mesmo muito bom!


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