Sábado, 12 de Dezembro de 2009

Agarro a madrugada

como se fosse uma criança,

uma roseira entrelaçada,

uma videira de esperança.

Tal qual o corpo da cidade

que manhã cedo ensaia a dança

de quem, por força da vontade,

de trabalhar nunca se cansa.

Vou pela rua desta lua

que no meu Tejo acendo cedo,

vou por Lisboa, maré nua

que desagua no Rossio.

Eu sou o homem da cidade

que manhã cedo acorda e canta,

e, por amar a liberdade,

com a cidade se levanta.

Vou pela estrada deslumbrada

da lua cheia de Lisboa

até que a lua apaixonada

cresce na vela da canoa.

Sou a gaivota que derrota tudo

o mau tempo no mar alto.

Eu sou o homem que transporta

a maré povo em sobressalto.

E quando agarro a madrugada,

colho a manhã como uma flor

à beira mágoa desfolhada,

um malmequer azul na cor,

o malmequer da liberdade

que bem me quer como ninguém,

o malmequer desta cidade

que me quer bem, que me quer bem.

Nas minhas mãos a madrugada

abriu a flor de Abril também,

a flor sem medo perfumada

com o aroma que o mar tem,

flor de Lisboa bem amada

que mal me quis, que me quer bem.

 

Ary dos Santos



afonso ferreira às 01:38 | link do post | comentar
|

3 comentários:
De PRD a 12 de Dezembro de 2009 às 14:49
Melhor começo não poderia haver...


De Anónimo a 10 de Fevereiro de 2011 às 12:19
Cheguei ao fim! Quer dizer, ao início. Que viagem maravilhosa. Obrigada.
C


De C a 10 de Fevereiro de 2011 às 14:13
Tinha deixado aqui um comentário, que não apareceu, para assinalar a minha chegada ao início do teu blogue e o quanto gostei desta jornada de um mês!
Parabéns!!
Gosto de te ler!
C


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