Sexta-feira, 26 de Fevereiro de 2010

 

Percorro as ruas em passo de corrida. Atrasado, atravesso a baixa ao anoitecer, pessoas, semáforos, verde-vermelho, carros e vida frenética. Viro no elevador de Santa Justa, ao chegar ao edifício identifico-me, deixo uma fila para trás e subo sozinho no elevador. No topo do edifício há uma festa, mais pessoas do que imaginava, um ar de expectativa enche-me os pulmões. Penso que afinal devia ter convidado alguém mas é tarde de demais. Dirijo-me ao bar e o empregado sem hesitar serve-me uma bebida sem perguntar nada. Devo estar com cara de quem precisa de algo forte. A bebida escorrega e incendeia-me as entranhas. Sabe bem, estava a precisar disto. Não tenho tempo para pensar na solidão, as pessoas sucedem-se, conversas entrecruzadas, reencontros. Passamos ao auditório, sento-me e deixo de pensar no caos do mundo. As cantoras entram em palco, o concerto começa, e eu penso, por um instante, que afinal é tudo tão simples. Se pudesse ficava aqui para sempre. Nos camarins sinto que percebo tudo, estou aqui e não poderia estar em mais lado nenhum.



afonso ferreira às 02:44 | link do post | comentar
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2 comentários:
De Vera a 26 de Fevereiro de 2010 às 09:27
Bonito, como sempre.
As tuas fotografias são sempre (também) maravilhosas e inspiradoras.
umbeijo


De Sandra a 26 de Fevereiro de 2010 às 10:23
À medida que ía lendo este texto, fui tendo a sensação de as minhas entranhas se estarem a envolver em si próprias tal com um papel ao ser cuidadosamente amachucado em formato de bola. Terei de arranjar formas de as ir desdobrando ao longo do dia...

SB


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