Terça-feira, 23 de Março de 2010

 

Sem já saber como matar o tempo, saio do café e fecho-me no carro a fumar cigarros a olhar para o jardim e o rio. Bato o pé e tenho de refrear a vontade de acender um cigarro no anterior. Este paraíso de verde e pássaros e água azul no começo da primavera é inadequado à minha tempestade. Pego no telefone várias vezes mas decido não ligar. Quero prolongar o prazer que antecede falar contigo. Hoje é o início de qualquer coisa tenho o sangue em combustão a chiar nas artérias. Neste aquário de vidro de quatro rodas tudo parece desfocado, o grand noir a passear o velho dono, as copas das árvores enterradas no solo, as raízes a abanarem na brisa leve, 22 bolas e um miúdo em campo. Quando não estás a loucura instala-se em mim, tenho de a domesticar como o domador de leões no circo a rezar para não ficar sem cabeça. Está na hora, fumo o último cigarro. Que fazemos, eu e o tempo, juntos nesta eternidade de dia?



afonso ferreira às 00:46 | link do post | comentar
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7 comentários:
De Anónimo a 23 de Março de 2010 às 01:27
Maravilhoso........


De allungare il pene a 23 de Março de 2010 às 12:22
bela fotografia! I love família fotos preto e branco, e os antigos eu acho que são pura poesia!


De CF a 23 de Março de 2010 às 14:57
Gostei. Identifiquie-me ou assim...


De AG a 23 de Março de 2010 às 16:20
Percebo exactamente o estado de alma que descreve. Rima com inquetude, com dias subitamente de sol, com ser-se jovem (por dentro). Com "querer prolongar o prazer que antecede" o momento em que acontece algo de muito bom.

Olhe que bom que é ler os seus textos!
Cordialmente
Ana


De silent words a 23 de Março de 2010 às 17:41
gostei!
quantas vezes não antecedemos nervosamente o prazer de um momento!



De Manu a 24 de Março de 2010 às 14:18
Gosto, gosto muito!!! :)


De Margarida a 26 de Março de 2010 às 15:56
Quando escreve Grand Noir, não quererá antes dizer Grand Danois (a raça de cão)?
Ou estará a referir-se a outra coisa?


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