Terça-feira, 22 de Junho de 2010

 

 

Dorothea Lange

 

É a única coisa que nunca deixei para trás. É a que mais revela sobre mim. Tem livros referentes às minhas três décadas de vida e de leitura e também vários que viajaram na família até ao porto seguro das minhas estantes. Faltam alguns essenciais, faz-me falta a capa acastanhada de um em particular. Já o comprei tantas vezes quantas as que ofereci a amigos, a amantes e a quem tinha cara de precisar de o ler. Já nem sei quantos exemplares já tive na minha posse e no entanto, mais uma vez, falta-me. Não bastava um blog para escrever sobre a minha biblioteca, é uma conversa sem fim à vista. Quando estou inquieto é nos livros que procuro as respostas. Percorro as lombadas a recordar livro a livro até me deter em algum em particular, às vezes tiro mais do que um, mas nunca falha, encontro sempre a fuga, o meio e se tiver sorte o fim. Esta noite encontrei um texto, uma sorte dos diabos, não é comum, e se não é o fim, é pelo menos uma direcção para o meu problema. O desafio é encontrar os livros seguintes. O jogo começa sempre assim.

 

 

A proliferação de campos de refugiados é um produto/manifestação tão integral da globalização quanto o denso arquipélago de nowherevilles através do qual se movem os membros da nova elite nas suas viagens ao redor do mundo. (...) Pelo que sabemos, as nowherevilles dos campos de refugiados – tal como as pousadas equidistantes em que se hospedam os comerciantes supranacionais capazes de viajar livremente – podem ser as cabeças-de-ponte de uma extraterritorialidade que avança, ou (numa perpectiva mais longa) laboratórios em que a dessemantização do lugar, a fragilidade e a decartalidade dos meios, a indeterminação e a plasticidade das identidades e, acima de tudo, a nova permanência da transitoriadade (todas elas tendências constitutivas da fase "líquida" da modernidade) são vivenciadas sob condições extremas: testadas como os limites da elasticidade e da submissão humanas, assim como as formas de atingir, foram testados nos campos de concentração no estado "sólido" da história moderna. 

Amor Líquido, Zygmunt Bauman



afonso ferreira às 03:01 | link do post | comentar
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