Quinta-feira, 25.10.12

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afonso ferreira às 01:53 | link do post | comentar
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Quarta-feira, 24.10.12


Duas excelentes notícias em menos de 24 horas e eu sem nenhuma garrafa de champanhe no frigorífico. Entretanto, mais dois capítulos do livro finalizados. E muitos assuntos melindrosos prestes a ser encerrados definitivamente. Moral? Qualquer coisa como o trabalho (deveria dizer resiliência?) compensa, etc, etc. Mais coisas por dizer, tantas e tantas coisas, mas agora vou sair e comemorar alarvemente. Até já.



afonso ferreira às 13:27 | link do post | comentar
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Sexta-feira, 19.10.12



MANUEL ANTÓNIO PINA 1943-2012



afonso ferreira às 17:04 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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A adolescência é um território fértil nesse campo; aos vinte definimos o nosso tipo de amor; aos trinta descobrimos algumas formas bizarras de amor dos outros e que nem todos os filhos nascem pelos melhores motivos.



afonso ferreira às 15:00 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Quinta-feira, 18.10.12

Quem vive pelos media, morre pelos media.



afonso ferreira às 00:00 | link do post | comentar
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Terça-feira, 16.10.12

 

 

Margaret Monck, Lisboa, 1930


Os dias naufragam no calendário sem perdão pela ordem natural das coisas – horas transformam-se em minutos, os segundos finaram há muito. Como se as medidas de tempo perdessem o ritmo esperado, transmutando-se apenas em algo veloz que já não controlo. Faço as malas de viagem mais estranhas da minha vida – não recolho para levar; selo tudo para que permaneça imutável no meu regresso. No dia marcado no calendário, não estarei cá – não haverá mensagens, telefonemas, amigos ou pessoas menos espantadas –, espero estar bem acompanhado em local aprazível junto ao mar com uma garrafa de champanhe. 



afonso ferreira às 23:44 | link do post | comentar
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Quarta-feira, 10.10.12

A Sonaecom confirmou hoje, em comunicado, uma reestruturação do jornal "Público". As alterações vão implicar a "previsível saída de 48 colaboradores" e "a redução da estrutura de custos em cerca de 3,5 milhões de euros por ano, com a diminuição de custos de funcionamento", refere o comunicado publicado no site do jornal.



afonso ferreira às 22:13 | link do post | comentar
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Domingo, 07.10.12

Estão todos consternados, de cara à banda, não ouço falar de mais nada. A tragédia, a notícia inesperada a alastrar pelos jornais, as fotografias-chave do percurso, uma carreira tão promissora, um fulgor na juventude, o mundo nas suas mãos, a adulação, o poder. E também as más fotografias, as histórias lamentáveis que saíram na imprensa, o declínio, o corpo inchado de anos e anos de drogas, os amigos em retirada veloz – tudo a surgir à tona outra vez. Há sempre uma história, quase banal que o mal não tem muita imaginação; uma série de más escolhas, uma coisa levou a outra, todos sabem o rosário, culpa da depressão que durou anos, o cair nas mãos dos outros, as veias entupidas de coca, o fígado a liquefazer, o coração a rebentar uma noite esmagado pelos excessos todos do passado. Todos a afirmarem que eram gigantes, e, afinal, a verdade é serem os mais francos do grupo, enjaulados na sua escuridão, uma fraqueza insuportável aos próprios, eis a raiz de tudo – os fortes caem sete vezes e levantam-se oito. Quantas vezes já vi isto? Perdi a conta, sempre o mesmo calvário a finar da pior maneira.

 

 



afonso ferreira às 23:18 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Sábado, 06.10.12

Subitamente, os comprimidos começaram a fazer efeito. Ou a medicação foi ajustada, não sei bem. Então, o fervor com que escreve insultos encriptados renasce. Acorda cedo, excessivamente cedo, as madrugadas oferecem-lhe a confiança que lhe falta no resto – com as mulheres, na cama e fora dela;  e acima de tudo na escrita. A ficção nunca será um território conquistado, mas sabe que se misturar habilmente citações estratégicas de autores famosos com duas ou três piadas de esquina, algumas pessoas nunca deixarão de aplaudir por piedade. No fundo, entre os comprimidos e as palmas conquistadas a lágrimas e suor, pode sobreviver mais uns meses. [O idiota]



afonso ferreira às 09:54 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Terça-feira, 02.10.12

 

 

Fugir a meio do dia em boa companhia rumo ao mar, voltar com os cabelos revoltos e o corpo em sal, e o relógio ainda marcar 16h30.


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afonso ferreira às 16:26 | link do post | comentar | ver comentários (4)
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Segunda-feira, 01.10.12



Hoje chega ao fim um período de quatro meses a preparar um processo moroso que envolveu muito do meu (pouco) tempo disponível – documentos, testemunhas, gravações, depoimentos, papelada, investigações, reuniões, conselhos, e também algumas viagens. Pelo meio aconteceu o Verão, um dos mais intensos que tenho memória; não direi que mergulhar em cheio na sordidez humana seja das experiências mais agradáveis, mas a verdade é que este acontecimento acabou por ser apenas o pano de fundo para quatro meses inesquecíveis – pelo apoio e ajuda das pessoas interessantes, inteligentes e justas que estou rodeado. Aqui fica o meu agradecimento público. Que a festa comece, venha a rentrée.

 

 

 



afonso ferreira às 14:02 | link do post | comentar
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Domingo, 30.09.12

Não sei o que será pior, um inteligente acomodado ou um burro com atitude.



afonso ferreira às 03:14 | link do post | comentar | ver comentários (4)
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Segunda-feira, 24.09.12

 

Citroen DS, 1957, design by F. Bertoni.


Esta noite choveu. Choveu muito, todos os cântaros do céu. Depois chegou o vento, de arrancar telhas dos telhados, insolente e furioso a derrubar árvores. No momento em que cruzo a ponte, cidade nas costas, só azul – céu e rio – no horizonte, o pé no acelerador, a música a aniquilar tímpanos, penso que todos os anúncios a carros foram feitos para mim, consumidor desinteressado de tudo o que é gadget, mas que perde o juízo com um motor nas mãos e uma ponte rumo ao sul.



afonso ferreira às 02:02 | link do post | comentar
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Quinta-feira, 20.09.12


afonso ferreira às 01:22 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Quarta-feira, 19.09.12

A felicidade é só um conceito abstracto até nos atingir em cheio. Depois percebemos.



afonso ferreira às 09:53 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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afonso ferreira às 01:36 | link do post | comentar
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Terça-feira, 18.09.12

Não sou corajoso, mas usufruí do previlégio de ter sido educado a não ter medo de nada.



afonso ferreira às 13:46 | link do post | comentar
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Segunda-feira, 17.09.12

(...) Quando ele passa da posiçao mínima de credibilidade para o eixo de gatuno, mentiroso, palhaço, ele não recupera essa posição com facilidade.



afonso ferreira às 01:09 | link do post | comentar
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Segunda-feira, 10.09.12


Daqui ninguém sai sem cadastro.


Al Berto



afonso ferreira às 13:39 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Sábado, 01.09.12


afonso ferreira às 21:13 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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afonso ferreira às 02:48 | link do post | comentar
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Quinta-feira, 30.08.12

 

 


O meu amigo. O meu amigo da esquadra e o que já aprendi com ele. Hoje lá estive outra vez, a mais antiga de Lisboa, informou-me ele enquanto passeava os olhos pelas paredes, os cartazes antigos, as fotografias, os espólios de décadas. É pequena e decrépita e situa-se na zona do centro da capital onde mais ouço falar de reabilitação, obras, futuro. Diz-me que não anda naquelas ruas, a profissão dele não é boa para passeios desse género. Eu conto-lhe dos prodígios que testemunhei nas últimas semanas, os restaurantes que inauguraram, os filmes ao ar livre no largo, a noite em que a velha guarda do cinema compareceu em peso, as obras na casa que estou a acompanhar, os petiscos tardios. E ele conta-me do cheiro. O homem que chegou à esquadra, na sala ao lado da nossa que vislumbro pela porta de tinta descascada entreaberta, o homem espancado, a escorrer sangue, o corpo saqueado. O homem da poça de sangue no chão, tal era a quantidade, tal a enormidade de tudo. E ele, tantos anos de serviço, tanta coisa já vista, tanta pancada de tudo, sentiu pela primeira vez o cheiro a sangue.



afonso ferreira às 00:00 | link do post | comentar
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Quarta-feira, 29.08.12


You look ridiculous if you dance, you look ridiculous if you don't dance...
So you might as well dance.

Gertrude Stein

 


afonso ferreira às 09:35 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Segunda-feira, 27.08.12

Acordo de madrugada e atiro-me ferozmente ao computador, despachar assuntos, trabalhar a competir com o relógio. Surgem avisos, telefonemas, mensagens no telemóvel, emails – a besta voltou, dizem-me. Enviam-me a gozar uma foto que apareceu nas redes, o sorriso falso que conheço bem, a pose estudada, só um papel bem desempenhado que desvanece imediatamente ao disparo da máquina para dar lugar à pessoa mal formada, à raiva, às palavras sem nível. Digo-lhes que não se preocupem, só me dá vontade de rir, sei bem a verdade e a cidade é grande. Continuo a trabalhar, há um pássaro que pousa na minha janela e as copas das árvores oscilam ao sabor do vento, não há realidades encenadas que não acabem quando o pano desce.



afonso ferreira às 13:34 | link do post | comentar
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Sábado, 25.08.12


afonso ferreira às 01:22 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Sexta-feira, 24.08.12

Nunca consegui fechar o ano em Dezembro. Até há dois ou três anos o ano fechava em Fevereiro e iniciava um novo ciclo em Março. Mais recentemente passei a fechar em pleno Verão. Não há um grande mistério à volta desta decisão, apenas uma vontade de organizar os meus anos segundos os eventos pessoais e não pela imposição do calendário. Chego agora à altura de arrumar os acontecimentos por secções – do best off ao abaixo de cão – como os jornais na edição da praxe da silly season.



afonso ferreira às 00:56 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Quinta-feira, 16.08.12

 

 


O dia começou e não havia palavras. O aparelho mudo, um fanico nocturno, restou-me o telefone morto na mão e ainda pensei se era uma benção ou uma grande perda. Era preciso fazer uma chamada e comecei a pensar onde raio uma pessoa faz isso na era da internet e dos aparelhos de nova geração onde as cabines de rua desapareceram. Tentei num sítio e depois noutro e não tive sorte. Depois lembrei-me daquele café que recordava vagamente ter um telefone e fiz uma aposta comigo, se afinal tinha tão boa memória ou era um delírio. Só o café dava um romance inteiro, cheio de maquinaria e balcões dos anos 50, as histórias que já inventei com este espaço por cenário. Lá estava ele, o telefone preto, onde é preciso espetar o dedo indicador no aro e girar. Dois, um, nove, oito... e a cada vez, o aro a voltar ao ponto inicial. À primeira tentativa ninguém atendeu. E comecei a rir estupidamente, parecia que tinha voltado aos anos da minha infância, ir ao café ligar para os amigos, os desencontros, as chamadas perdidas. Para ligar novamente foi preciso pressionar nos quadradinhos pretos onde se pousa o auscutador para desligar a chamada e iniciar outra. Só faltou a voz da operadora. Outra vez o dedo no aro, dois, um, nove, oito... e à segunda tentativa ouço uma voz do outro lado da linha. Cumprimento jovialmente e do outro lado jorram as perguntas, se já me ligaram, se recebi alguma chamada, se ele ligou. Que não, que estou sem pio, não recebo chamadas, problemas técnicos. E depois sei, neste café de outras eras, com o ascutador no ouvido esquerdo, o fio do telefone a abanar no ar, que morreste às três da manhã. Continuei a falar normalmente, ri-me até, parece impossível mas é verdade, não domino a arte de passar da felicidade à tragédia em segundos. Preciso de tempo, é preciso engenho para tal, e digo-te, estava tudo a correr tão bem, demasiado bem agora pensando nisso, tinha a alegria de uma manhã de Verão estampada na cara de tal forma que não foi fácil compreender cada palavra e sílaba quando me falaram de ti, tu que encerras com a tua morte uma fase na minha vida. Foi só depois de beber um café, pagar a chamada e sair para a rua na canícula deste dia tão bonito que o aro do mundo me acertou em cheio.



afonso ferreira às 16:07 | link do post | comentar | ver comentários (4)
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Terça-feira, 14.08.12

Jantei uma vez na casa de um extraordinário russo, na Rússia. A conversa fazia-se num inglês fragmentário, mas expressivo. O seu interminável repertório de histórias subdividia-se em diversas categorias; às melhores ele chamava “true fake”, ou seja “mentiras verdadeiras”, que não eram sequer mentiras mas apenas tão boas que mereceriam sê-lo. Depois vinham as “fake fake”, que eram mentiras mesmo mentiras mas suficiente boas para merecerem ser verdade. Quando as histórias eram tristemente verdadeiras, o meu anfitrião encolhia os ombros, fazia uma cara quase de quem pede desculpas, dizia: “this, my friend, is true-true”. Verdade verdadeira, meu amigo; o mais baixo da escala. (...)



afonso ferreira às 13:44 | link do post | comentar
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Domingo, 12.08.12

Foi o tempo que bastou para numa conversa ao telefone com uma pessoa desconhecida cruzarmos histórias e descobrir a careca a uma terceira numa pulhice ocorrida há três anos. Três anos de equívocos e impunidade, e em duas horas ficou o caso esclarecido. Bem dizia o outro que a arte da conversação era a mais sublime de todas.



afonso ferreira às 12:30 | link do post | comentar
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Sábado, 11.08.12



Escutas feitas no gabinete de Sá Carneiro, em janeiro de 1980, a partir dos dispositivos de tecnologia da antiga RDA, incorporadas nos ares condicionados FNAC, através de agentes infiltrados do PCP que manipularam os concursos de equipamento do estado para adquirir estes aparelhos à empresa de Alexandre Alves.


afonso ferreira às 18:05 | link do post | comentar
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