Domingo, 08.07.12

Coisas estranhas que só acontecem aos domingos – passei duas horas sentado a uma mesa a prestar depoimento, e à minha frente, a fazer troça de mim, um dossier com a palavra 'cadáveres' na lombada. Aquilo era literatura pura, ou pior, incitamento ao crime, o que as minhas mãos sofreram para se portarem bem e não subtrairem o maldito dossier ao universo. Apeteceu-me ler aquilo como se de um livro tratasse, imaginei os casos, as histórias arrumadas em folhas A4, os crimes, os cadáveres que aparecem a boiar no Tejo.


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Segunda-feira, 11.06.12

 

O dia não nasceu de feição, parece que choveu enquanto a cidade dormia. Depois foram os pequenos-grandes problemas quotidianos a tratar, volta aqui, volta acolá, e lá se foi resolvendo enquanto as horas passavam. Tinha a convicção que o melhor era fugirmos do asfalto rumo ao mar, mesmo que a coisa não prometesse. Lá fomos pela marginal fora paralelos à linha azul enquanto imaginávamos explorar novos poisos. Junto ao mar decidimos ficar por ali, estender as toalhas de riscas azuis perto das miúdas que brincavam com os seixos num fortaleza castelo que crescia pedra a pedra. Enquanto lia sobre um verão não muito azul em Istambul há três décadas, tu adormeceste, e o tempo parou. Mais tarde, percorremos a pé o caminho até à vila, ida e volta em conversa amena. Encontrámos uma casa feita de paredes de vidro e areia e entrámos. Acho que não voltámos a sair.


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afonso ferreira às 01:22 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Domingo, 03.06.12

Quando chega o domingo,
faço tenção de todas as coisas mais belas
que um homem pode fazer na vida.

... )



 


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Domingo, 25.03.12

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Quarta-feira, 22.02.12

As pessoas dividem-se entre as que odeiam semanas com dois domingos ou duas segundas.


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Terça-feira, 21.02.12

Outra semana com dois domingos. Isto não pode fazer bem a ninguém.


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Domingo, 05.02.12

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Domingo, 29.01.12


 

O empregado do café não admite que o contradigam, o espaço está uma vergonha, é lixo por todo o lado, ervas espreitam a cada canto. O guarda diz que não, não, não é verdade, tem de lá ir ver, está tudo limpo e arranjado, um brinquinho. As duas idosas na mesa a bebericar chá estão com o dom da palavra, dantes é que era uma coisa bem feita, os jardineiros eram uns bêbados mas trabalhavam bem, era ver os homens tortos, pinga de manhã à noite, mas havia dálias, flores a perder de vista, os canteiros arranjados, as árvores esticadas em direcção ao céu. O empregado esfrega as mãos no pano da loiça sujo e pergunta por que raio não está a passagem para a torre aberta e o guarda defende-se, se eles para lá levam crianças de palmo e meio, naquele sítio onde não há protecção, à mercê dos caprichos do acaso, se surge acidente não há quem acuda, é tragédia certa. O empregado afirma que se afinal está tudo limpo e arrumado, se não aparecem ervas a toldar a vista, então está bem, está muito bem, mas o que está mal é o preço, é preciso deixar os anéis e os dedos para entrar, está mal, está mal. O castelo é património de todos, ó que raio. A mulher de rugas a tiracolo não se resigna, dantes via dálias, muitas dálias e pavões, eram uns bêbados mas nas fontes e bicas corria água com prazer. 


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Quarta-feira, 02.11.11

Uma semana com dois domingos não pode ser coisa boa.


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Domingo, 23.10.11

... depois do mundo acabar só podia ser um domingo. raios parta.


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afonso ferreira às 12:31 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Domingo, 18.09.11

"Domingo irei para as hortas na pessoa dos outros.
[...] Haverá sempre alguém nas hortas ao domingo."


Álvaro de Campos


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afonso ferreira às 20:58 | link do post | comentar
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Domingo, 17.07.11

As pessoas dividem-se entre as que odeiam segundas-feiras e as que não suportam domingos. 


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afonso ferreira às 20:35 | link do post | comentar | ver comentários (11)
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Eram as sete e meia da tarde. E eu sorri-lhe ao ver que me sorria, mas fi-lo apenas por educação. Sorri, mas era me impossível esquecer que ainda há meia hora estava angustiado como nunca no terraço ao lado, 

na minha casa, com os nervos completamente destroçados pelo domingo. Os domingos são horríveis. Se ainda por cima são de Agosto, a combinação não pode ser mais terrífica. E embora venham e vão, isso de pouco consolo serve, pois voltam sempre. Ainda que, diga-se a verdade, por muitos domingos de Agosto que voltem, dificilmente encontrarão um pior do que hoje, nunca voltará a ser tão pesado o ar nem estarão tão vazias as ruas desta povoação como estavam hoje às quatro da tarde quando em minha casa, sentado no meio do terraço que dá para o normalmente – hoje a esta hora deserto – concorrido Passeo del Mar, senti um tremor estranho, seguido de uma dificuldade tão enorme de mover-me que até me senti incapaz de recorrer a este caderno dos três tucanos. (...)

 

Longe de Veracruz de Enrique Vila-Matas não é um livro inesquecível nem sequer será lembrado como um marco nas minhas leituras, mas é, talvez, se a memória não me falha, o livro que contém as melhores descrições de domingos que já alguma vez li. Sem ser planeado, comecei a ler precisamente num domingo quente à beira mar e conto chegar à última página num próximo.

 

Que fará aí esse homem. Que fará disfarçado de planta. Na realidade talvez tudo isso não tenha nada de estranho ou de especial e a culpa seja simplesmente dos domingos, que são horríveis. São muitas as pessoas que, por causa disso, os acabam transtornadas, acabam muito mal os domingos. São horríveis, sim, os domingos...(...)


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afonso ferreira às 19:27 | link do post | comentar
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Segunda-feira, 11.04.11

 

 

 


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afonso ferreira às 02:47 | link do post | comentar
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Segunda-feira, 28.03.11

Mais um domingo despachado. 


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afonso ferreira às 00:46 | link do post | comentar | ver comentários (1)
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Domingo, 20.03.11

 

 

Sol, calor, praia, jacarandás em flor. Tudo num só domingo e ainda são três da tarde.


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Domingo, 06.03.11

Uma semana sem internet. 2h40 de vários telefonemas depois, até já tratar os técnicos da assistência pelo nome próprio, a coisa resolve-se. Mudar para o canal 13, muito mais elitista e sem tráfego, uma espécie de domingo a olhar para o mar. Isto não poderá deixar de se reflectir nos posts.


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Domingo, 27.02.11

A esticar horas e minutos para prolongar o dia.


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Segunda-feira, 21.02.11

Uma espécie de domingo perfeito, Pedro Rolo Duarte.


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Domingo, 13.02.11

 

 

 


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Domingo, 06.02.11

Acordei e por alguns minutos pensei que era segunda, tento enganar-me a mim próprio mas não sou bem sucedido.


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afonso ferreira às 15:19 | link do post | comentar
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Domingo, 30.01.11

Acordar cedo e combinar um brunch com vista para o rio, levar o corpo ao sol e estender os olhos pela água. Encontrar um navio de dez andares ancorado entre mim e o Tejo. Rir-me por ainda ter ilusões em trocar as voltas aos domingos.


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Domingo, 23.01.11

 

Munido do Cartão de Cidadão dou várias voltas no meu bairro para encontrar as mesas de voto. Por erro atribuíram-me a zona vizinha, mas como é indiferente avanço sem pensar muito no caso. Chego e descubro uma sala com três pessoas a receber à mesa e três sentadas em amena cavaqueira a fazer companhia às outras. Consultam as listagens e entregam-me um pequeno papel com o meu número de eleitor. Fico à espera de mais instruções e simultaneamente dou por falta das mesas de voto. Explicam-me que tenho de dirigir-me ao prédio ao lado para votar. No segundo sítio dou o cartão e o pequeno papel com o número, entregam-me o voto e dirijo-me ao biombo. Quando regresso o insólito acontece. O número está errado, sobra-me na mão o voto dobrado em quatro a abanar no ar. Propõem-me guardar o voto enquanto esclareço a situação. Guardar? Entrego confuso o voto. E dirijo-me à sala inicial. A senhora de idade encarregue da listagem tem dislexia visual, troca linhas, é necessário uma régua para levar a tarefa a bom porto. Novo número, volto à sala de voto. Perguntam-me se desejo confirmar o meu voto. Penso dois segundos e respondo com ar ligeiramente desconcertado que confio naquela mesa. Coloco o voto na urna sob o olhar atento de todas as pessoas na sala. Há sorrisos e apertos de mão e pareceu-me ouvir palmas. Se isto não é um domingo em cheio.


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Domingo, 16.01.11

 

Está outra vez tudo a dar para o torto. "Parecia e queria algo e não sabia o quê." Por dentro é novamente uma procura, um desassossego e uma agitação totais. E a cabeça outra vez extremamente tensa. Lembro-me com uma certa inveja dos dois últimos domingos: os dias encontravam-se à minha frente como planícies abertas e vastas, eu podia caminhar nessas planícies, e os dias eram largos e sem obstáculos à vista. E agora encontro-me novamente no meio do matagal. Começou logo ontem à noite; foi nessa altura que o desassossego começou a trepar por mim acima como os vapores que se elevam de um pântano. (...) Porém, era afinal uma luta contra um cansaço natural, a que por fim me rendi, num acto de sapiência. E esta manhã parecia estar tudo em ordem. Mas quando ia na bicicleta na Apollolaan, surgiu outra vez aquela procura, aquele descontentamento, aquele sentir o vazio por trás das coisas, aquele não estar repleto de vida, mas o nela magicar sem direcção ou sentido. E neste momento estou no pântano. E igualmente a consideração de: "Enfim, isto também há-de passar", desta vez não oferece tranquilidade.

Domingo, 23 de Março de 1941, 4 horas

Diário 1941-1943, Etty Hillesum


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Segunda-feira, 10.01.11

 

 

Passear na praça do Vaticano, descascar romãs, ver filmes pela madrugada, pequeno-almoçar com vista para os teus olhos, cozinhar ao som de histórias improváveis, dançar pop em ritmo descontrolado. Mais um fim-de-semana destes e arrisco-me a não ter assunto para escrever na secção de domingos melancólicos.


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Domingo, 19.12.10

 

 

 

em que perdemos a noção dos dias.



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Domingo, 05.12.10

Domingos. Não consigo viver com eles, não os posso matar.


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afonso ferreira às 15:18 | link do post | comentar
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Domingo, 28.11.10

A combater domingos desde sempre.


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Domingo, 14.11.10

 

Pediu bife grelhado e vinho enquanto esperava pelo amigo. Pensou em todas as pessoas a almoçarem neste domingo de Outono. À sua frente vê um casal estrangeiro com um bebé a discutir em surdina. Atrás de si, um homem almoça sozinho alheado do barulho do restaurante. Pensa em quantos almoços de domingo terá pela frente e de que forma acabará o caderno onde escreve enquanto espera pelo bife e pelo amigo.


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afonso ferreira às 20:28 | link do post | comentar
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Aos domingos encerramos depois do jantar.


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afonso ferreira às 19:08 | link do post | comentar
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