Domingo, 06.02.11

Acordei e por alguns minutos pensei que era segunda, tento enganar-me a mim próprio mas não sou bem sucedido.


tags:

publicado por afonso ferreira às 15:19 | link do post | comentar

Domingo, 30.01.11

Acordar cedo e combinar um brunch com vista para o rio, levar o corpo ao sol e estender os olhos pela água. Encontrar um navio de dez andares ancorado entre mim e o Tejo. Rir-me por ainda ter ilusões em trocar as voltas aos domingos.


tags:

publicado por afonso ferreira às 22:30 | link do post | comentar

Domingo, 23.01.11

 

Munido do Cartão de Cidadão dou várias voltas no meu bairro para encontrar as mesas de voto. Por erro atribuíram-me a zona vizinha, mas como é indiferente avanço sem pensar muito no caso. Chego e descubro uma sala com três pessoas a receber à mesa e três sentadas em amena cavaqueira a fazer companhia às outras. Consultam as listagens e entregam-me um pequeno papel com o meu número de eleitor. Fico à espera de mais instruções e simultaneamente dou por falta das mesas de voto. Explicam-me que tenho de dirigir-me ao prédio ao lado para votar. No segundo sítio dou o cartão e o pequeno papel com o número, entregam-me o voto e dirijo-me ao biombo. Quando regresso o insólito acontece. O número está errado, sobra-me na mão o voto dobrado em quatro a abanar no ar. Propõem-me guardar o voto enquanto esclareço a situação. Guardar? Entrego confuso o voto. E dirijo-me à sala inicial. A senhora de idade encarregue da listagem tem dislexia visual, troca linhas, é necessário uma régua para levar a tarefa a bom porto. Novo número, volto à sala de voto. Perguntam-me se desejo confirmar o meu voto. Penso dois segundos e respondo com ar ligeiramente desconcertado que confio naquela mesa. Coloco o voto na urna sob o olhar atento de todas as pessoas na sala. Há sorrisos e apertos de mão e pareceu-me ouvir palmas. Se isto não é um domingo em cheio.


tags:

publicado por afonso ferreira às 18:27 | link do post | comentar

Domingo, 16.01.11

 

Está outra vez tudo a dar para o torto. "Parecia e queria algo e não sabia o quê." Por dentro é novamente uma procura, um desassossego e uma agitação totais. E a cabeça outra vez extremamente tensa. Lembro-me com uma certa inveja dos dois últimos domingos: os dias encontravam-se à minha frente como planícies abertas e vastas, eu podia caminhar nessas planícies, e os dias eram largos e sem obstáculos à vista. E agora encontro-me novamente no meio do matagal. Começou logo ontem à noite; foi nessa altura que o desassossego começou a trepar por mim acima como os vapores que se elevam de um pântano. (...) Porém, era afinal uma luta contra um cansaço natural, a que por fim me rendi, num acto de sapiência. E esta manhã parecia estar tudo em ordem. Mas quando ia na bicicleta na Apollolaan, surgiu outra vez aquela procura, aquele descontentamento, aquele sentir o vazio por trás das coisas, aquele não estar repleto de vida, mas o nela magicar sem direcção ou sentido. E neste momento estou no pântano. E igualmente a consideração de: "Enfim, isto também há-de passar", desta vez não oferece tranquilidade.

Domingo, 23 de Março de 1941, 4 horas

Diário 1941-1943, Etty Hillesum


tags:

publicado por afonso ferreira às 18:17 | link do post | comentar

Segunda-feira, 10.01.11

 

 

Passear na praça do Vaticano, descascar romãs, ver filmes pela madrugada, pequeno-almoçar com vista para os teus olhos, cozinhar ao som de histórias improváveis, dançar pop em ritmo descontrolado. Mais um fim-de-semana destes e arrisco-me a não ter assunto para escrever na secção de domingos melancólicos.


tags:

publicado por afonso ferreira às 14:51 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Domingo, 19.12.10

 

 

 

em que perdemos a noção dos dias.



tags:

publicado por afonso ferreira às 17:47 | link do post | comentar | ver comentários (1)

Domingo, 05.12.10

Domingos. Não consigo viver com eles, não os posso matar.


tags:

publicado por afonso ferreira às 15:18 | link do post | comentar

Domingo, 28.11.10

A combater domingos desde sempre.


tags:

publicado por afonso ferreira às 13:22 | link do post | comentar

Domingo, 14.11.10

 

Pediu bife grelhado e vinho enquanto esperava pelo amigo. Pensou em todas as pessoas a almoçarem neste domingo de Outono. À sua frente vê um casal estrangeiro com um bebé a discutir em surdina. Atrás de si, um homem almoça sozinho alheado do barulho do restaurante. Pensa em quantos almoços de domingo terá pela frente e de que forma acabará o caderno onde escreve enquanto espera pelo bife e pelo amigo.


tags:

publicado por afonso ferreira às 20:28 | link do post | comentar

Aos domingos encerramos depois do jantar.


tags:

publicado por afonso ferreira às 19:08 | link do post | comentar

Domingo, 24.10.10

Um encontro casual na rua deriva na ingestão de cafeína a olhar para a cidade. Contam-me coisas tão extraordinárias que ao chegar a casa dou comigo com um pacote de leite na mão a olhar para o infinito por tempo indefinido. 


tags:

publicado por afonso ferreira às 16:45 | link do post | comentar

Terça-feira, 05.10.10

Pior que um domingo, só um feriado.


tags:

publicado por afonso ferreira às 18:11 | link do post | comentar

Segunda-feira, 27.09.10

 

Há dias assim, compridos, um não acabar de pequenas ficções. Parece que cumprimos uma volta ao mundo quando colocamos a chave na porta de casa e saudamos o silêncio dos móveis, a paz dos objectos domésticos. Quis o calendário que hoje tivesse muitas celebrações à minha espera. Muitas casas, muitos rostos, muitos abraços. Estamos todos e fazemos o ponto da situação, revemos conversas, por vezes não dizemos algo também, combinamos encontros, aproximamos futuros e desejamos que o tempo pare simultaneamente, damos o melhor de nós, tranquilizamo-nos com a presença dos outros. Construímos algo, alicerce de ponte futura.


tags:

publicado por afonso ferreira às 00:19 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Domingo, 29.08.10

O que há em mim é sobretudo cansaço

Não disto nem daquilo,

Nem sequer de tudo ou de nada:

Cansaço assim mesmo, ele mesmo,

Cansaço.

 

Álvaro de Campos



tags:

publicado por afonso ferreira às 15:51 | link do post | comentar | ver comentários (3)

Segunda-feira, 23.08.10

 

Acordar cedo no silêncio do estuque. Atravessar a cidade em direcção ao sul. Chegar ao mar na certeza dos dias perfeitos. Deitar o corpo na areia a observar os homens-pássaro a riscar o céu. Sentir o dia a avançar na fúria da água fria. Abraçar a noite a dançar a dois numa roda de choro. 


tags:

publicado por afonso ferreira às 01:43 | link do post | comentar

Quinta-feira, 12.08.10

A minha viagem à Ilha do Sal começa no sul num domingo que deveria ser sereno mas acordo com a cabeça prestes a explodir. No sul o céu está encoberto e eu sinto uma faca espetada na cabeça, bichos alados no estômago e um sono que me invade. Ainda assim vou à vila, atravesso a ria, vejo o mar. Um domingo fosco, a neblina que sinto contaminou tudo. Na ponte tiramos fotografias, faço-te a vontade, não te digo que as imagens serão em vão, apetece-me ter faróis de nevoeiro no corpo. No regresso à capital o kilómetro 207 revela-se fatal. O quatro rodas recusa-se a prosseguir. Chamamos o reboque e depois de alguma espera e peripécias várias chegamos à cidade. Por esta altura juntou-se a febre ao festim dos outros sintomas. O meu companheiro de viagem aposta numas ostras partilhadas com vista para a ria como causa para tanto mal-estar. Eu acuso todo o mal do mundo, a crise económica e a silly season. Na realidade estou sem capacidade de análise. Com o cair da noite volto lentamente a mim, a névoa dissipa-se.



publicado por afonso ferreira às 17:08 | link do post | comentar | ver comentários (2)

Domingo, 01.08.10

 

 

 

Não sei como surgiu. Deitei-me e adormeci tão profundamente que o mundo ficou suspenso. Quando finalmente voltei a dar à manivela encalhei num domingo cristalizado, tanto calor que os pombos colam uns aos outros nos beirais. O céu sem manchas, as copas das árvores mudas, esta vista-postal. Tal como o escritor que recebeu o telefonema do amigo morto e rumou à capital num dia infernal de calor, também o meu telefone range e em vez de seguir para os Prazeres dou ordens aos passos para o meu antigo bairro. Dois prédios é a distância entre o destino de hoje e a minha antiga morada. Eu nunca gostei destes dias empalhados, do mundo quedo. Mas hoje estou em paz, veio de surra durante a noite, estou suspenso num parênteses, estou aqui e sinto-me bem. Na casa os tacos do chão dilatam, estão inchados, gostam mais do frio, transpiram e resfolegam. Dezenas de telas expostas, penduradas e adivinhadas nas paredes e nos armários. Tenho um segundo de espanto, há um assombro neste trabalho. Detenho-me nos pormenores, secretamente elejo as minhas preferidas. Espanta-me não sucumbir num domingo de plástico. Tenho as emoções de férias, certamente.


tags:

publicado por afonso ferreira às 15:56 | link do post | comentar

Quinta-feira, 28.01.10

 

Domingo. O carro a deslizar pela marginal. Trânsito e gaivotas.

Ela - Queres casar comigo?

Ele - Humpf...

Ela - Não queres?...

Ele - Quero. Mas só quando me perguntares um vez só. Quando perguntares a sério.

Ela - Mas é um pedido sério...

Ele - ...

Ela - Eu peço-te em casamento todos os dias mas nunca tinha pedido ninguém...

Ele - ....

Ela - A sério.

Ele - Todos os dias não vale.

Ela - ... 

Ele - Só aceito quando perguntares uma vez, quando for verdade.

Ela - Queres casar comigo?

Ele - ...

 

 

 



publicado por afonso ferreira às 21:00 | link do post | comentar

mais sobre mim
Dezembro 2012
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


posts recentes

o dossier

domingo a dois

Poema de Domingo

Sunday is gloomy, my hour...

Diz-me o teu dia

Parem lá com isso

Todas as horas que fazem ...

Domingo no café

Feeling

O primeiro dia

Domingo na horta

Diferenças

Os domingos são horríveis

Freak show

Missão cumprida

arquivos

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

tags

a minha língua é a pátria portuguesa

cartas

casamento gay

coisas extraordinárias do gabinete

conversas de caserna

correspondência epistolar

corrupção

dias felizes

domingo

domingos

estudos

ghost writer

gira-discos

grandes crimes sem consequência

literatura

mercados

mundo virtual

outras cidades

paixonite

pequenas ficções sem consequência

perdido no arquivo

playlist

relvasgate

sonhos

suicídio público

taxistas

telenovela

um homem na megalópole

vendeta

viagens

todas as tags

links
subscrever feeds